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segunda-feira, março 28, 2022

Óscares 2022

Em tempos ainda dei importância os Óscares, classificando os actores pelo número de nomeações e galardões. Nos últimos tempos perdi o interesse pelo título e pela cerimónia, cada vez menos apelativa e crescentemente mais rendida a causas do momento em detrimento da arte.

Ontem, ficando a trabalhar mais tarde, acabei por ficar a ver parte do espectáculo, incluindo a já famosa intervenção de Will Smith. Como muitos, pensei que fosse combinado. Depois percebi que não. Talvez não tenha sido um modelo de racionalidade ou comportamento, mas reconheçamos, deu alguma salero e animação politicamente incorrecta a um evento que bem andava a precisar disso.



E se alguém achou que o gesto do era um murro, desengane-se: se fosse de punho fechado, Chris Rock teria ido ao chão. É que o Will não é propriamente pequeno e até já esteve naquela sala por ter sido nomeado pelo papel do lendário boxer Ali/Cassius Clay, o que implica que saiba jogar ao boxe.

De resto, aproveita-se o sempre importante in Memoriam, que recordou logo dois antigos Melhores Actores, Sidney Poitier e William Hurt (mas que esqueceu lamentavelmente Monica Vitti), ou até Teodorakis, que nem me recordava que tivesse morrido.

PS: entretanto, Cláudio Ramos já pediu que tirassem o Óscar a Will Smith. Aposto que a "academia" já está a analisar a exigência de Ramos. Eu, se fosse ao Will Smith, ficaria preocupado.

terça-feira, fevereiro 28, 2017

Óscares 2016 (que não vi)


Ao contrário de anos anteriores, quase não dei pela cerimónia dos Óscares. Nem pelos prémios (com excepção do de Melhor Actriz Secundária, entregue a Viola Davis, quando de súbito me lembrei de ligar a televisão para a apagar pouco depois), nem pela passadeira vermelha, nem pelas piadinhas de quem apresentava (e a propósito, não fazia ideia de quem era o "anfitrião", e menos ainda quem era Jimmy kimmel). Perdi assim o momento da que é provavelmente a maior gaffe da história destes prémios, e que apanhou injustamente os gloriosos Warren Beaty e Faye Dunaway, mas que serviu também para dar algum sal à coisa (e logo vieram as piadinhas de que seria uma sabotagem de Trump ou dos russos).
Mas a razão do meu desinteresse era o de não ter visto nem estar grandemente interessado nos filmes postos à nomeação. Tenho alguns em agenda, mas quase nenhum constava na lista da "Academia". E nem sequer sabia que gente estimável como Jeff Bridges ou Viggo Mortensen estava entre os nomeados, até porque os que ganham são sempre muito mais referidos (Meryl Streep também estava lá, mas dá-me ideia que o hábito é de tal forma que qualquer dia a nomeiam por engano mesmo que não entre em nenhum filme)  
O que me fica, olhando para as nomeações e para os premiados, é que esta cerimónia teve um carácter político e social que extravasou em muito o mérito artístico dos filmes que estavam a concurso. Uma mal disfarçada reacção à polémica do ano passado, em que não aparecia qualquer negro nomeado, deu origem a uma cascata de nomeações para actores negros (para actriz secundária, ganho justamente por Viola Davis, em cinco concorrentes três eram negras, uma percentagem bastante maior do que na população americana) e filmes sobre o racismo na América, tendo aliás o galardão principal ido para "Moonligh", exemplo disso mesmo, para mais com a caricata atribuição depois da hora, que ainda realça mais essa hegemonia. O slogan "oscars so white" era muito 2016. 2017 é o "oscars so black". Não há fome que não dê em fartura. E mesmo assim, Denzel Washington falhou a segunda estatueta. é assim, Hollywood.

segunda-feira, fevereiro 29, 2016

Óscares 2016 (na perspectiva de quem só viu resumos e leu quem tinha ganho)


Escrevo só mesmo para picar o ponto, já que todos os anos falo dos "prémios da Academia". Acontece que de entre os filmes nomeados para os Óscares vi muito poucos, até porque me parece que a colheita não era nada do outro mundo - aliás, de ano para ano, fico com a ideia que os nomeados são cada vez mais banais. Não maus, mas banais.

O Spotlight ganhou o prémio de melhor filme. Muitos previam, o assunto estava na "ordem do dia", o tema (investigação jornalística de pedofilia por parte de padres católicos em Boston) é premente, os actores conhecidos, e filmes sobre jornalistas em investigação caem sempre bem.
O Iñarritu ganhou o de melhor realizador. É o segundo seguido. Um pouco estranho pensar que Hitchcock nunca ganhou nenhum e o mexicano conseguiu ser bi-oscarizado. Ao menos não vai haver pretextos para que os "hispânicos" façam um qualquer boicote à cerimónia com o pretexto de que há poucos representados.
 
Di Caprio ganhou finalmente um Óscar de melhor actor. Não vi e duvido que vá ver The Revenant, mas o prémio parece mais ser pelas provações durante a filmagem e pelas numerosas cerimónias em que ficou de mãos a abanar. Nada contra, já merecia e enterra definitivamente os pruridos de quando era o pretty boy de Hollyhood e o seu talento pouco considerado.
 
Nos secundários estavam lá alguns nomes de peso, como Sylvester Stallone, agora muito respeitosamente tratado pela crítica. Mas o triunfo de Mark Rylance, em A Ponte dos Espiões, é justíssimo. Falo com a autoridade de ter sido um dos poucos filmes que vi (também tinha visto The Big Short, pelo qual Christian Bale estava injustamente nomeado, num papel demasiado cabotino e inferior, no mesmo filme, ao de Steve Carell), interpretando um Rudolf Abel sóbrio, com ar de pacato cidadão, perfeitamente inofensivo, tentando esconder um espião soviético odiado pelo país que o encarcerou.
 
Das duas actrizes que ganharam os prémios de interpretação feminina não posso dizer nada: não conheço os filmes em que entraram nem tampouco as próprias, de quem nem nunca tinha ouvido falar. Não digo que seja um sacrilégio que tenham ganho a Cate Blanchett e a Jennifer Lawrence, porque elas já ganharam, mas caramba, estava lá Charlotte Rampling, que merecia mais respeito.
 
Nos filmes estrangeiros, categoria a que vale sempre a pena estar atento, ganhou o filme sobre os Sonderkomandos, que pelo tema, deve ser pungente.
 
O melhor e o pior encontraram-se nos prémios musicais. Pior: o Óscar para a música de Sam Smith, provavelmente o pior tema musical de um James Bond de sempre, além do seu discurso ridiculamente gay (depois queixem-se que os homossexuais são acusados de serem promíscuos e coisas parecidas).
 
O melhor: Ennio Morricone, um mito vivo da música e do cinema, compositor de bandas sonoras desde os Western Spaghetti de Sergio Leone até aos filmes mediterrânicos de Tornatore, passando por Brian de Palma, Roman Polansky, Barry Levinson, e claro, o inesquecível oboé de A Missão ganhou um Óscar a sério, pela banda sonora do último Tarantino. É sempre bom ver caras (e sobretudo sons) conhecidos a ganhar prémios destes, e sobretudo é bom ver que desta vez a "Academia" conseguiu atribuir um galardão a um veterano a tempo.
 
Resta agora esperar que o próximo ano traga filmes que qualidade mais do que mediana. Para já, temos aí o novo dos Cohen, que incide precisamente...sobre Hollywood.

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Óscares 2015


Este ano quase nem vi a cerimónia dos Óscares. Aguentei até ao melhor Actor Secundário, quase no princípio, e desisti. Fiz bem. Afinal de contas, cumpriram-se todas as previsões. Não falhou nenhuma, salvo talvez qualquer aposta nas categorias técnicas. Mas ainda me lembro do tempo em que havia surpresas e discussões entre especialistas, dando a sua opinião sobre quem deveria vencer. Vá lá que para Melhor Actriz ganhou a Julianne Moore (não vi o filme dela, mas há anos que já merecia uma estatueta), e Wes Andersson levou também algumas para casa, mas confirma-se que um papel autobiográfico e para mais de um cientista com deficiências notórias comove sempre a "academia" e são 3/4 de caminho andado para ganhar o prémio (vide Rain Man ou Shine), com algumas notáveis excepções (e que foram por isso mesmo uma surpresa), como Uma Mente Brilhante. Birdman é um bom filme, mas não excepcional. Grand Budapest Hotel, é muito bom, mas não é uma obra-prima. Não vi Boyhood, mas do que me lembro de Patrícia Arquette, nem por sombras mereceria sequer uma nomeação para prémios de teatro de bairro. Espero que tenha melhorado, senão será sem dúvida a pior actriz de sempre a ser galardoada com um Óscar.

sexta-feira, março 07, 2014

Óscares 2014


Não vi a maior parte dos filmes a concorrentes à estatueta dourada, e menos ainda aos que tinham mais nomeações, por isso as minas preferências eram localizadas. Não posso portanto dizer se compensa ficar Doze anos Escravo, se uma Golpada Americana não compensa, isso e ser um Lobo de Wall Street, ou se a Gravidade é assim tão reconhecida. É engraçado ver o já experiente Matthew Mcconaughey ganhar o prémio de Melhor Actor, mas Leonardo de Caprio, com tanta nomeação falhado ao prémio, arrisca-se a ser o novo Peter O´Toole (mas talvez possa ser um novo Paul Newman, que aliás ganhou essa estatueta num filme dirigido por Scorcese, de quem Di Caprio é o actual actor fetiche). Sobre a menina autenticamente afro-americana (vão ver a ascendência dela) não me pronuncio, porque não a conheço nem à sua interpretação. Também não vi o filme da estrela rock que ficou como Melhor Actor Secundário e que ainda há coisa de uns meses resolveu dar um concerto surpresa em pleno Chiado, agarrado à estátua do dito.

Mas o grande momento do espectáculo seria, como não podia deixar de ser, a conquista do Óscar de Melhor Actriz por parte de Cate Blanchett, pelo seu papel arrasador de uma neurótica em queda em Blue Jasmine, de Woody Allen, ao fim de várias nomeações. Uma prova de que ainda há justiça neste mundo (com desculpas a Dame Judi Dench).


quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Óscares 2013


Pareceu-me um sentimento quase generalizado, mas este ano pouco me interessaram os Óscares. Fosse pela safra de menor qualidade, pelo desconhecimento do que ia a jogo, ou por raramente constituírem surpresa, não dediquei muito do meu tempo à cerimónia e aos resultados. Ainda assim, vi o resumo que habitualmente a TV dedica ao acontecimento da "Academia". Não fazia a menor ideia quem era o apresentador, e só depois é que soube que era o argumentista do filme em que o urso de peluche ganha vida e se torna no melhor (e mais javardo) amigo de Mark Whalberg, que andou pelos cinemas há pouco tempo. Umas piadas com mais ou menos graça, uns números de dança banais para "celebrar os musicais", e dois vídeos hilariantes (o das "we saw your boobs" e a recriação de Flight com marionetas feitas de meias), assim se resumiu a apresentação do evento.
 
Nos vencedores, a vitória de Daniel Day Lewis pela sua interpretação de Lincoln, que lhe deu um inédito terceiro Óscar de Melhor Actor (ele, que entra em filmes de 3 em 3 anos e que promete não ficar por aqui) foi uma não-surpresa; o contrário é que teria deixado todos de queixos no chão. Um filme sobre um presidente americano com uma imensa carga mítica e simbólica, realizado por Spielberg e protagonizado por Day-Lewis estaria fatalmente votado ao sucesso. E no entanto, poucas distinções levou. Era dos poucos filmes a concurso que tinha visto; não é exactamente um biopic, nem um épico, mas antes uma fita sobre os procedimentos políticos, incluindo os mais duvidosos, para defender as causas mais nobres (José Dirceu, do "Mensalão", pode usar o filme na sua defesa no tribunal). E a par de Day-Lewis, as outras interpretações são também muito conseguidas. Sally Field já tem alguns Óscares para decorar a lareira, e decerto não se importará de ter perdido para Anne Hathaway; mas provavelmente houve quem se importasse, porque o prémio deveu-se a umas cenas desesperadas num musical integral sobre os Miseráveis de Victor Hugo, que é, ao que tudo indica, uma valente pessegada. Qualquer uma das concorrentes merecê-lo-ia com mais distinção.
 
Amour também não surpreendeu ao ganhar o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Não sou grande fã de Michael Haneke e preferia que este seu último trabalho tivesse ganho outro galardão: o de Melhor Actriz para Emmanuelle Riva, a protagonista de Hiroshima Mon Amour. Assim não o entendeu a "Academia", que deu o prémio à jovem (sessenta e dois anos de diferença para Riva), engraçada e para mim desconhecida Jennifer Lawrence, esperando que a sua carreira não despenque agora por aí abaixo.

Antes de Haneke, outro austríaco ganhou o Óscar de Melhor Secundário: Cristoph Waltz, de novo por um Tarantino, Django Unchained. Não sou também grande fã dos esguichos de sangue e de lutas em que vale tudo sobretudo tirar olhos, mas as actuações de Waltz costumam ser convincentes, e o filme era tudo menos politicamente correcto.
Ang Lee também ganhou (de novo) o galardão de melhor realizador, ele, que partiu de Taiwan e é agora um dos mais respeitados em Hollywood. E Ben Afleck, que nem estava nomeado para esse prémio, acabou por ficar com o de Melhor Filme pelo seu Argo, uma obra muito interessante e inteligente, com excelente fotografia, interpretações competentes e à qual nem falta suspense qb. Valeu até pelo seu discurso engasgado. E, claro, é sempre bom ver a outrora tão sofredora Adele ser galardoada com um Óscar, principalmente nas bodas de ouro de James Bond, pela sua envolvente Skyfall.


A reter: um conjunto de filmes estrangeiros que me pareceram interessantes (sobretudo o da famosa saga do norueguês Thor Heyerdahl pelo Pacífico, que espero que seja exibido nos cinemas de Portugal). E o facto de finalmente haver portugueses ligados a filmes vencedores de Óscares: a proeza coube a Rita Blanco, que faz de "concierge" em Amour. Mais sinais portugueses do que este é impossível.

terça-feira, fevereiro 28, 2012

Óscares 2012

Não, não concordo que não tenha havido qualquer surpresa nos Óscares: todos apostavam em George Clooney para a estátua de melhor actor, mas um quase desconhecido (fora do seu país) francês arrebatou-lha. E alguns espertinhos achavam que Meryl Streep seria ultrapassada. Mas não. Streep, que estava para os Óscares como o Benfica para as finais das competições europeias, conseguiu enfim a sua segunda estátua como melhor actriz, trinta anos depois da primeira. Ficou sanado o escândalo da melhor actriz do cinema moderno ter menos Óscares que Sally Field ou Hillary Swank.
De resto, gostei dos prémios ao velho Christopher Plummer e ao iraniano Uma Separação, ao melhor argumento original para Meia-Noite em Paris (mesmo que Woody Allen tenha, como aliás é tradição, primado pela ausência) e à tentativa de sabotagem cómica de Sacha Baron Cohen, vestido com um misto de Kadhafi e Bin Laden. Que se poderá esperar da sua futura interpretação de Freddy Mercury? E sim, claro que gostei do regresso do meu conhecido Billy Crystal, depois de um período de nojo, embora ache que antigamente ele estava mais inspirado. Desilusão só mesmo no tapete vermelho. Não houve nenhuma revelação feminina, o que transforma a gala deste ano numa desilusão. Mas ainda não vi o resumo da festa nem do desfile, pelo que admito estar a ser injusto e a reconsiderar uma segunda opinião.

terça-feira, março 09, 2010

Óscares 2010

Os Óscares deste ano passaram sem que lhes tivesse dado grande atenção, por várias razões. Uma, é que vi poucos filmes nomeados; só mesmo Invictus e Nas Nuvens, que ainda por cima vieram de mãos a abanar. A outra é que não pude dormir menos para acompanhar a cerimónia, e só soube dos resultados no dia seguinte.

Não tendo visto a incursão iraquiana de Kathryn Bigelow, nem sabendo se vou ver, acho bem que tenha ganho o prémio de realização (julgo que é a primeira mulher a consegui-lo, o que assenta que nem uma luva no Dia Internacional da Mulher), por causa da sua curta mas interessante carreira, impulsionada por Ruptura Explosiva, outro filme que me lembro de ter visto no cinema Charlot(vide posts anteriores), e porque o seu ex-marido, Mr. Cameron, já tinha uma estatueta dourada em casa. e ainda acumulou com o prémio de Melhor Filme e mais uns quantos.


De Sandra Bullock acho bizarro: sem a achar uma canastrona, e considerando que tem um belo palminho de cara, nunca a vi como actriz para estas andanças. Mas às vezes algumas interpretações surpreendem-nos. Gostava era que um dia se lembrassem que Meryl Streep não é apenas nomeada todos os anos para fazer figura de corpo presente e lhe dessem enfim um segundo Óscar, depois das 1352 nomeações sem consequências. Se Hillary Swank teve dois, porque é que a grande Meryl não há de ganhar também? Ainda por cima os apresentadores da cerimónia são os seus consortes na sua última comédia...


Gostei muito de saber que Jeff Bridges tenha sido galardoado com o prémio de interpretação, mesmo que por um obscuro filme que nem deve saír em sala por cá. Um actor com uma respeitabilíssima e tão sólida carreira como Starman, Tucker ou Big Lebowsky, entre outros, e com várias nomeações anteriores, já merecia ganhar este galardão.



Para os escalões de actores secundários ganhou uma comediante num filme dramático (coisa que a Academia aprecia muito) e o austríaco que interpreta o diabólico coronel alemão do tarantinesco Inglorous Basterds, um papel a todos os títulos notável, como garantem muitos.

Entretanto, Avatar, a megalómana obra de James Cameron, que tem batido recordes de bilheteira, ficou apenas com um ou outro prémio de terceira categoria. Se atingiu Titanic nas receitas, ficou muito aquém na avaliação crítica de Hollywood. Com algum desgrado meu, diga-se. É que tenho tentado apanhá-lo nos fins de semana (únicos dias em que se podem assistir às suas quase trÊs horas sem grandes pressas), e ou está esgotado, ou há problemas técnicos. Se no início não estava para aí inclinado, agora tenho um real interesse em vê-lo em 3D. Com este desaire, o filme que "é como o Danças com Lobos só que com estrunfes", segundo a definição de Bruno Aleixo, arrisca-se agora a não ficar muito mais tempo nas salas. E não pensem que vou perder tempo a procurar o DVD: um ecrã de cinema é sempre diferente, e há coisas que só ali se revelam, inventem o que inventarem. E em 3D, parece que ainda é mais.


segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Óscares, ano 80
Mais uma edição de Óscares, depois da ameaça da greve dos argumentistas. A resolução tardia do diferendo não impediu que Jon Stewart estivesse em forma. com prejuízo do sono, aguentei-me até saber quem era o melhor actor, coisa que nem oferecia grandes dúvidas. Espantei-me com Óscar de melhor actriz da jovem, doce e pouco conhecida Marillon Cotillard, em lugar de julie Christie, mas é sabido que Hollywood se péla por biopics e por maluqinhos, e a icónica e trágica carreira de Piaf merecia a estatueta. aliás, deve ter sido a sessão entre as oitenta que já houve em que mais franceses foram premiados. A política de reconciliação com os EUA de Sarkozy já produz resultados.

Daniel Day-Lewis, pelo que ouço dizer, teve uma das melhores interpretações dos últimos anos, como aliás já nos habituou sempre que resolve voltar para as telas. entre a modéstia e a emoção, ficam na memória o beijo facial a Clooney e a genuflexão perante Helen Mirren, o que não admira, já que o actor um súbdito da Rainha. Também o Óscar ao descontraído Bardem não teve piada, tamanha era a antecipação. Já o triunfo de Tilda Swinton espantou; esperava tudo que a estatueta caísse nas mãos do Bob Dylan de Cate Blanchett; mas a divina australiana, nomeada para dois troféus, mostrou-se com divertido à vontade, consciente de que voltará a ganhar outra estatueta dourada (com o ritmo dos últimos anos, o mais provável é que qualquer dia esteja a competir com Merryl Streep em nomeações).

Tive certa pena que Persepolis não ganhasse o prémio de filme de animação, uma categoria que tem crescido em qualidade e visibilidade, mas de facto Ratatouille era demasiado forte para perder. De realçar vários filmes "menores" que ganharam vários Óscares (também "menores"), deixando Expiação, por exemplo, quase a nadar em seco.

Os Coen ganharam em filme e realização, como se previa. No Country for Old Men só existe entre nós em livro. Aposto que quando se estrear, daqui a dias, não lhe vai faltar público. Na mouche, senhores distribuidores nacionais. Quanto à dupla de grandes vencedores, é, se tirarmos Fargo, o coroar de uma carreira já longa, não isenta de tropeções, mas talentosa, segura, e com grandes momentos que certamente merecerão várias páginas na história do cinema