A 1 de Janeiro começarão os seus trabalhos na ONU. Mas aposto que esperava um mundo ligeiramente melhor quando se dispor a candidatar-se ao cargo de Secretário-Geral. E daí, talvez não: quem lidou com refugiados durante estes anos de chumbo talvez soubesse ao que vinha. Seja como for, não lhe gabo a sorte. Só lhe desejo as maiores felicidades.
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terça-feira, dezembro 13, 2016
sexta-feira, outubro 07, 2016
Guterres na ONU (e uma previsão)
Fiquei particularmente contente com a nomeação de Guterres para Secretário-Geral da ONU por: 1- ser o mais elevado cargo exercido por um português desde o Papa João XXI; 2- por ser Guterres, um dos políticos mais qualificados e com mais carácter que já vi, e que apesar de nalguns momentos importantes ter tido falta de pulso, nomeadamente dentro do seu próprio partido, outros houve em que demonstrou uma fibra incrível (caso de Timor); e acima de tudo porque se tratou da escolha mais transparente e meritocrática possível (descontando todas as cedências, discussões e jogos de bastidores que necessariamente há nestes casos), resultando na escolha de um português excepcionalmente bem preparado, o que mostra que os portugueses podem mesmo ir longe com a sua competência.
Demonstra também o quão eficaz continua a ser a nossa velha e experiente diplomacia, que mantém o "pequeno milagre permanente" chamado Portugal há mais de oito séculos. todo um trabalho do corpo diplomático português, incansável, imperturbável e muitíssimo competente.
Curioso é que há precisamente vinte anos Guterres era o chefe do governo e Marcelo Rebelo de Sousa o líder da oposição. E exactamente no mesmo ano de 2016 os dois velhos amigos, antigos adversários políticos e veteranos da vida pública portuguesa atingem o topo das suas carreiras, um à frente da ONU, o outro como chefe de estado de Portugal.
Quem havia de adivinhar? Ora, o major Valentim Loureiro. Ele é que já estava a prever isto e começou a "aclamação" de Guterres vinte e um anos antes do Conselho de Segurança o fazer.
segunda-feira, fevereiro 23, 2015
As prioridades da ONU
É claro que ser impedido de entrar no metro por um punhado de rufias racistas e bêbados, ainda por cima estrangeiros, como aconteceu há dias em Paris, é desagradável. Mas apesar da humilhação e da sensação de intimidação, o pior que acontece é entrar só no metro seguinte, uns minutos depois. Que o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos não entendeu assim e resolveu pronunciar-se sobre o acontecimento. Quem não vivesse neste Mundo poderia supor que isto está no grau mais alto da escala das violações dos direitos humanos. Bom seria que todos os problemas fossem esses, mas sinceramente, com todos os casos aberrantes que se passam no Mundo, é sobre coisas destas que os senhores Altos Comissários se debruçam? Pergunto-me se tiveram uma reacção tão pujante quando vinte e um coptas foram barbaramente assassinados (outra vez) por terroristas da Daesh nas praias da Líbia. Bem podem dizer que Paris é mais mediática e "mais perto" (dá ideia que tudo o que se passa na capital francesa é mais importante do que o resto), mas recordo-lhes que a Líbia é já ali do outro lado da Itália. E a ONU, que eu saiba, tem carácter mundial. Se se vai pronunciar sobre cada caso de racismo, então vai precisar de umas dezenas de porta-vozes em discurso ininterrupto. Melhor faria se fosse tratar do que importa e deixasse os casos menores de lado. Depois, não admira que digam que se trata de uma ilustre inutilidade. Bizantinices como estas levam ao ridículo, e a prazo, à total irrelevância.
segunda-feira, outubro 25, 2010
No Conselho de Segurança

É certo que os canadianos desistiram antes da terceira ronda, mas apenas porque ficaram muito abaixo de Portugal na segunda rodada. Recorde-se que o Canadá, além de ser membro do G8, é o segundo maior país do Mundo em área e já tinha estado por seis vezes (todas a que se candidatou) no conselho de Segurança.
A importância desta eleição para Portugal é significativa. Para já, porque apesar de tudo mostra que nem tudo corre mal e dá uma pequena balão de oxigénio no amor-próprio. Depois, por causa do prestígio e da imagem externa do país, numa altura em que é acossado por agências de rating e periódicos financeiros. E por fim (esta é a razão porque escrevo agora, quase duas semanas depois do feito), porque pode influenciar a permanência do quartel-general regional da NATO em Portugal, a poucas semanas da cimeira, e cuja saída, perfeitamente plausível, seria prejudicial ao nosso país. É uma indiscutível vitória da diplomacia portuguesa, por muito que isso perturbe os adeptos do "quanto pior, melhor", mais fiéis a esquemas partidários do que ao Bem Comum do país. Agora veremos os frutos que se vão colher. E se Oeiras mantém a sua importância estratégica.

Como nem tudo pode ser mau, Portugal conseguiu uma importante vitória externa, ao ser eleito para membro não-permanente do conselho de Segurança da ONU. Com adversários como a Alemanha e o Canadá, ambos membros do G8, a tarefa não era fácil, mas superaram-se as barreiras (e os canadianos). Para isso, tivemos de contar com os votos de países como a China e a Rússia, que por quaisquer razões, porventura estratégicas, preferiram ver Portugal como interlocutor temporário no Conselho de Segurança. Há que agradecer também à Espanha pelo apoio dado e por convencer os estados sul-americanos a votar em nós. Em contrapartida, estados houve da União Europeia que votaram no Canadá. Mais uma prova de que a solidariedade comunitária é mais um véu institucional que outra coisa qualquer.
É certo que os canadianos desistiram antes da terceira ronda, mas apenas porque ficaram muito abaixo de Portugal na segunda rodada. Recorde-se que o Canadá, além de ser membro do G8, é o segundo maior país do Mundo em área e já tinha estado por seis vezes (todas a que se candidatou) no conselho de Segurança.
A importância desta eleição para Portugal é significativa. Para já, porque apesar de tudo mostra que nem tudo corre mal e dá uma pequena balão de oxigénio no amor-próprio. Depois, por causa do prestígio e da imagem externa do país, numa altura em que é acossado por agências de rating e periódicos financeiros. E por fim (esta é a razão porque escrevo agora, quase duas semanas depois do feito), porque pode influenciar a permanência do quartel-general regional da NATO em Portugal, a poucas semanas da cimeira, e cuja saída, perfeitamente plausível, seria prejudicial ao nosso país. É uma indiscutível vitória da diplomacia portuguesa, por muito que isso perturbe os adeptos do "quanto pior, melhor", mais fiéis a esquemas partidários do que ao Bem Comum do país. Agora veremos os frutos que se vão colher. E se Oeiras mantém a sua importância estratégica.
segunda-feira, abril 20, 2009
E a cristofobia?
O Secretário Geral da ONU deve andar a ler muito o Arrastão. Só assim se explica que na abertura da conferência sobre o racismo das Nações Unidas, em Genebra, Ban Ki Moon se tenha referido logo à islamofobia. Que eu saiba, o Islão não é raça nenhuma, antes envolve questões religiosas e culturais. Mas se se faz essa interpretação ampla do conceito de racismo, fica a pergunta: então e a cristofobia, que se faz sentir em tantos países muçulmanos, como o Iraque (outrora com uma importante comunidade cristã, que agora foge do país em massa), o Paquistão e a Arábia Saudita (neste caso, é qualquer culto que não o sunita) e não só, caso da Índia? Não lhe merece nenhum reparo?
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