No último ano parece que se abateu uma onda negra sobre a câmara do Porto, ou mais precisamente, sobre alguns dos apoiantes e responsáveis pela eleição de Rui Moreira. Em Novembro de 2015, está quase a fazer um ano, desapareceu abruptamente Paulo Cunha e Silva, deixando uma herança riquíssima que levara apenas 3 anos a formar, mas um espaço vazio a custo ocupado pelo próprio Moreira. Em Dezembro, na véspera de Natal, desapareceu o Pidas Espregueira, com apenas 45 anos, um elemento sempre activo na campanha de Moreira, membro da assembleia de freguesia da Foz-Nevogilde-Aldoar, ainda meu primo e meu homónimo. E agora, com pouco mais idade, Manuel Sampaio Pimentel, antigo nº 2 de Moreira, vereador já dos tempos de Rui Rio, com inúmeras competências, ex-director regional da Segurança Social e figura maior do CDS local. Todos, amigos, colegas, adversários políticos, foram unânimes em considerá-lo um político combativo, com feitio difícil, até, leal, directo e sério. E com ele é já a terceira personalidade ligada ao actual executivo a deixar-nos em apenas um ano, todos ainda relativamente novos. Mais um fim de ano tristonho. Dá vontade de ir à bruxa, com tão inimagináveis tragédias, só para se obter alguma paz terrena.
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quarta-feira, novembro 02, 2016
sexta-feira, fevereiro 15, 2013
Fúrias divinas
Há milénios que as tempestades, e particularmente as trovoadas, são interpretadas como sendo produto de uma fúria divina. Zeus dardejava raios do Olimpo, e para os nórdicos, Thor produzia-os a golpes de martelo. Ainda me lembro de ouvir mulheres a afirmar que quando havia trovoada era com certeza "Deus a ralhar".
Por muito que conheçamos os fenómenos metereológicos e as suas causas, há coisas que parecem mesmo demonstrar uma qualquer fúria divina. O terramoto descrito nos Evangelhos, quando Cristo expirou na Cruz, por exemplo, e cuja veracidade foi reconfirmada há pouco tempo. Mas nada desperta mais essa ideia do que os relâmpagos, por surgirem do negrume dos céus e fulminarem os seus alvos.
Na sequência do anúncio da renúncia do Papa, no mesmo dia, e a meio de uma tempestade nada estranha para a época, uma imagem condizente com o "estrondo" da notícia. Se passarmos o simples "fenómeno metereológico" e imaginarmos que seria uma mensagem divina, seria uma atitude de reprovação do gesto do Papa? Ou tal como no baptismo de Jesus, Deus quereria dizer "Este é o meu filho Bento, meu vigário sobre a Terra. Ouvi-o!"?
segunda-feira, julho 13, 2009
Maldição no Bessa?
O Boavista anda mesmo com azar. Num evento em que certamente ganharia alguns euros, o cancelamento do concerto dos Depeche Mode no âmbito do Festival Super Bock Super Rock é um autêntico balde de água fria. Claro que quase ninguém iria só por causa dos delicodoces Nouvelle Vague e das restantes bandas suporte. Pôr à última hora os estafados Xutos e os inócuos The Gift não deve ter amarrado lá muito público. Não sei se o Boavista seria compensado pelo número de bilhetes vendidos ou se teria uma verba fixa; na primeira hipótese, é mais uma desgraça a juntar ao rol interminável; na segunda, já seria o Bessa a emanar essa pouca sorte, qual maldição axadrezada. Há já muito que naquele estádio não acontece nada de bom. Exige-se rapidamente a água benta do Padre Carrara, ou se não for suficiente, um exorcista. Mas do mal o menos: não se lembrarem de chamar os Ban em lugar de Xutos e Gift já evitou desgraças maiores.
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quinta-feira, abril 23, 2009
Ana Moreira


Afinal sempre há consequências nefastas quando actores de teatro e cinema se põem a fazer telenovelas. Ana Moreira, provavelmente a actriz portuguesa mais fascinante desde Leonor Silveira, mudou-se para a TVI e desde então ficou com aquele ar horrível da fotografia da direita (onde até está favorecida, vista deste ângulo), que infelizmente carregou para algumas cenas de A Corte do Norte, de João Botelho, em exibição nos cinemas, e que lhe tira grande parte do seu encanto. Não sou adepto da tortura, mas para o/a responsável do novo look de Ana Moreira, para tamanho destruidor de encantos alheios, abriria uma excepção.
(É claro que pode ser opção da própria. Nesse caso, nada há mais a fazer senão chorar em silêncio e estender os olhos marejados de lágrimas balbuciando "porquês".)
domingo, outubro 12, 2008
Dia chato
De manhã, carta a anunciar recusa de emprego. Depois, notícia de que os fundos de investimento retirados há dias para a conta à ordem desceram ainda mais do que se esperava (mais do que o dia da ordem de venda). À tarde, confusões bancárias e saldo negativo na conta, o que durante meia hora espalhou o desnorte no cérebro até o erro estar resolvido e conseguir enfim comprar o bilhete de comboio para o Porto (a uma Sexta à tarde e com 2 Euros no bolso, acreditem que é desagradável). Finalmente, no Intercidades a abarrotar, sentado num daqueles bancos virados para o de trás, sem mesa ou qualquer objecto a dividir os passageiros, ouço o anúncio de que o serviço de bar "está suspenso". Três horas com fome e sede sem sair do lugar custam, mas já agora, e tendo em conta outros problemas ferroviários, ouso perguntar aos senhores da CP: não se justifica uma ligeira descida dos preços como compensação à falta de serviços básicos? Ou andarão a poupar para a futura alta velocidade?
terça-feira, julho 22, 2008
Desabafo contra Gaia
Há terras belíssimas em Portugal. E outras com as quais jamais nos reconciliaremos. Um desses casos é Gaia. A "outra banda" do Douro, enorme porção de terra entre o rio, Espinho e as Terras de Santa Maria, é um concelho que contém zonas urbanas, suburbanas, rurais e litorais, por vezes misturadas entre si. É uma cidade caótica rodeada de uma infinidade de freguesias e terrinhas que por vezes não se sabe onde acabam e onde começam. Para quem vem de fora, é o caos.
Vista da zona ribeirinha do Porto, Gaia tem aquela marginal recuperada, as célebres caves do vinho, e depois eleva-se a um patamar onde se vêem os viadutos do comboio e por fim imensas torres de betão, estragando o conjunto todo. A antipatia começa aí. Porém, se se viaja pelo concelho (já nem digo na comprida Avenida da República, que cruza a cidade alta), perde-se a paciência em menos de um ai. Há dias, vindo de um jantar na praia de Salgueiros - a tal zona litoral, em que a marginal do lado do mar está exemplarmente recuperada mas cujos edifícios do outra lado deixam muito a desejar - tentei voltar ao Porto pela ponte da Arrábida, tomando de novo o nó do Fojo. Pela Afurada estava fora de hipótese, por causa da confusão provocada pelo festival Marés Vivas, para mais em noite dos Prodigy e da sua rave industrial. Voltar mais por dentro revelou-se uma passeata desastrada, que só começou a acabar quando dei a volta na rotunda de Santo Ovídeo, uns quantos quilómetros a sul de onde queria entrar. É que para além das milhares de ruelas mal iluminadas das dezenas de terrinhas em que os nós das autoestradas foram construídas por cima de hortas e cruzam com vielas, a sinalização é de desesperar: não faltam placas a indicar as saídas para Lisboa e Aveiro, mas para o Porto é quase impossível. Tentativa patética de rivalidade ou o responsável pelas indicações acha que ainda (já?) é tudo o mesmo concelho? De qualquer forma, o passeio obrigatória até, aliviado, cruzar a Ponte, serviu para me enervar e para me indispor ainda mais com aquele concelho de além-Douro. E nem passei pela tenebrosa Vila d´Este, pelas Devesas ou por outros horrores mais camuflados.
Reconciliar-me com Gaia? Uma hipótese remota. Fusão municipal com o Porto? Apre, que a capital de distrito merece melhor sorte do que colar-se a subúrbios. Definitivamente, não.
terça-feira, março 25, 2008
Agora são os casamentos
Esta história dos serviços fiscais quererem agora fiscalizar toda e qualquer conta relacionada com os casamentos, do valor das prendas ao do bouquet, não me entra pela cabeça. Já se percebeu que este governo, com a maioria que possui, tem tendência a regular a vida de todos os dias de maneira abusiva e prepotente. Mas esta nova regra (ou nem tanto, atendendo às palavras do Secretário de Estado), numa altura em que qualquer passo errado do executivo é escrutinado com mil olhos por todos os colunistas, peca pela falta de oportunidade, de sentido do ridículo e de descrição. Ou então pretendem mostrar, da pior maneira, que não há fuga ao fisco possível, mesmo que isso signifique a vergonha de se perguntar aos convidados, caso não haja lista, quanto custou a prenda. Ou muito me engano ou este conjunto de regras vai trazer tanta polémica que os seus autores terão forçosamente de recuar, sob pena de verem novas manifestações de rua, mas desta vez dos noivos. Ou preferirão impor a união de facto?
segunda-feira, dezembro 31, 2007
Cruzes e otomanos ofendidos
Segundo os jornais, um advogado turco queixou-se à UEFA e à FIFA da camisola que o Inter de Milão usou no jogo em que recebeu o Fenerbahce para a Liga dos Campeões. A dita camisola, equipamento alternativo à habitual nerazurra, tem uma enorme cruz vermelha a meio e lembrou-lhe "as cruzadas" e "os templários", e também "os dias sangrentos do passado", pelo que pediu a anulação do jogo e a perda dos três pontos ganhos pelo Inter.




Já temos visto casos bizarros como este, mas aqui a desfaçatez confunde-se com a ignorância. Seria bom dizer ao senhor turco em questão, além de o mandar dar uma volta ao bilhar grande, que a tal cruz vermelha da camisola (bem bonita, por sinal) é o estandarte de Milão, e que aparece também no emblema dos rivais AC Milan. E recordar-lhe que a bandeira do seu país, assim como a camisola da selecção turca, ostenta o crescente, símbolo da ameaça otomana sobre a Europa durante séculos.
O Benfica também tem uma desse tipo. Olha, é isso, vou comprar uma dessas e usá-la para quando for à Turquia. Ou não...Ou sim! Então eles lá não vendem tantas t-shirts vermelhas com o crescente e a estrela?
O Benfica também tem uma desse tipo. Olha, é isso, vou comprar uma dessas e usá-la para quando for à Turquia. Ou não...Ou sim! Então eles lá não vendem tantas t-shirts vermelhas com o crescente e a estrela?
A melhor resposta a dar ao sujeito é que sim senhor, a cruz recorda as cruzadas de propósito, enaltecendo o seu papel higienizador, e que não só anunciam uma expedição para libertar Jerusalém como também o propósito de se cercar e tomar Istambul, expulsando de lá os infiéis turcos e devolvendo-lhe o nome de Constantinopla, recriando o Império Bizantino. Mas disso depois trata o AEK de Atenas, que o Inter também não tem de fazer o trabalho todo. Seja como for, palpita-me que essa camisola vai fazer sucesso no mercado. Mesmo com as queixas dos ofendidos do costume.
segunda-feira, outubro 01, 2007
A obsessão de Vital Moreira
A propósito de uma benzedura de José Sócrates, Vital Moreira voltou a falar no assunto que lhe ocupa 80% das suas colunas de opinião: a defesa da "laicidade" do Estado, ou a capa do seu anti-clericalismo e anti-cristianismo mal disfarçado. As referências ao "país religiosamente plural" mostram que não percebeu, ou finge não perceber, que o país é cultural, religiosa e socialmente católico, e que a sua vontade era eliminar todos esses traços. E quando diz que "a exibição de símbolos de identificação religiosa, em hospitais, prisões e outras instituições, não constitui somente uma violação do princípio da separação mas também, e sobretudo, uma falta de respeito para com os outros crentes de outras religiões e os não-crentes" está nitidamente a criar uma proibição onde ela não existe nem na Constituição (de que certamente julga ser intérprete único) nem na Concordata. A Separação entre a Igreja e o Estado não obriga as entidades públicas a realizarem os seus actos hostilizando as confissões religiosas, mas apenas não deixando que os seus actos não sofram a sua interferência. E veja-se o grotesco que é proibir a um doente ou a um preso de levar um crucifixo para a cama ou para a prisão. Por aqui se prova a verdadeira intenção de Vital Moreira, cujo espírito jacobino, à mistura com os resquícios do PCP (onde militava quando aprovou a CRP) de empurrar as igrejas para as sacristias e afins. Aliás, gostava de perguntar ao Lente de Coimbra o que é que as crenças têm de tão mau que as ideologias políticas não têm.
Ah, e claro, não acaba sem a sacro-laica "falta de respeito para com crentes de outras religiões e não-crentes". No Natal, vermos Vital e outros apaniguados saudosistas da República Velha a falar nas manifestações da quadra como "ofensas a pessoas de outras religiões". Pessoas essas que não só não se sentem ofendidos - nunca se queixaram, aliás - como ainda reclamam contra os Vitais Moreiras que se apropriam indevidamente da sua Fé para fazer mera propaganda anti-católica, e por arrasto, anti-religião.
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