Do destino de rumar ao Panteão está o autor de A Queda de Um Anjo a salvo. Por sua expressa e perpétua vontade (antes de se matar?), Camilo Castelo Branco repousa no Cemitério da Lapa, no Porto, perto da escola onde Ramalho instruiu Eça e o coração de D. Pedro está guardado, sem receio de que o venham incomodar. Não fosse isto e já teria andado em bolandas entre o Porto, Samardã, Seide e o tal Panteão de Santa Engrácia, a não ser que os descendentes e órgãos deliberativos actuais sejam de tal forma insensíveis que não hesitem em violar esta sua vontade sagrada. É pouco provável, mas não impossível, se houver quem ligue mais aos restos mortais como "património cultural da nação" do que como pessoas (s)em carne e osso.
sexta-feira, janeiro 10, 2025
quarta-feira, junho 29, 2022
O S. João voltou
Houve muitas ausências que se lamentaram durante a pandemia. Aqui em Portugal destacaram-se os santos populares, essas festas colectivas tão queridas e democráticas, que anunciam sempre um novo Verão. Em 2021 houve uns ameaços, mas ainda não seria desta. Em 2022 regressaram, sem impedimentos. O tão desoladoramente falado "novo normal" afinal revelou-se muito parecido com o "velho normal".
O S. João, festa pagã de solstício de Verão adaptada para comemorar o profeta Baptista, que segundo os Evangelhos teria nascido seis meses antes do seu primo Jesus de Nazaré, também regressou, em especial ao Porto, onde, segundo Fernão Lopes, no século XIV já era festejado. Sabia-se que tinha havido um ou outro ano em que por causas bélicas ou de epidemias não tinha havido S. João, mas nunca dois anos seguidos. De tal forma que até a DGS, em 2020, emitiu um patético comunicado no dia 24 a pedir às pessoas que evitassem os festejos. O regresso urgia, por isso.
E regressou. Assim como os manjericos, as sardinhas, o fogo de artifício, as "cascatas", os martelinhos e a animação de rua. O tempo chuvoso da manhã ameaçava ser literalmente um balde de água fria, mas acabou por poupar os festejos. As pessoas voltaram a encher os principais espaços, sobretudo os que se encaminham para o rio. Quem andasse pelo centro da cidade podia ver os concertos "oficiais", mas eram sobretudo os bailaricos típicos que, de Nevogilde às Fontainhas, passando pelo Passeio Alegre, Massarelos e Miragaia, atraíam mais gente, tal como antigamente, com os martelos a fervilhar. Até Marcelo Rebelo de Sousa andou pela cidade, quase de uma ponta à outra. É de questionar como é que ele se terá locomovido da Sé a Nevogilde. Acima de tudo e todos, os balões a polvilhar o céu de luzes. E a noite acaba perto do rio, já com a alvorada. Para alguns puristas resistentes será mesmo na praia.
Não sei se era a noite de S. João esperada por toda a gente durante os dois últimos anos de má memória, mas o essencial estava lá. O S. João voltou com a "velha normalidade" e isso era tudo o que importava.
sábado, maio 29, 2021
Para uma final britânica perfeita
Uma pena que estejamos na situação em que estamos, com o distanciamento, as máscaras e etc, senão, como aperitivo para final da Liga dos Campeões, podíamos ter uns cantares ao desafio entre Mr. Damon Albarn, dos Blur e do Chelsea, e Mr. Noel Gallagher, ex metade dos Oasis e do Manchester City. Não sendo possível, Go citizens.
terça-feira, março 31, 2020
Cercos do Porto, uma tradição

segunda-feira, janeiro 21, 2019
Os 100 anos da Monarquia do Norte
sexta-feira, setembro 28, 2018
Eu puritano etário me confesso
terça-feira, junho 26, 2018
Sobre o São João que passou

quinta-feira, novembro 23, 2017
A espectacular superioridade da candidatura de Lisboa sobre a do Porto
É uma pena esperada que a candidatura do Porto à Agência Europeia do Medicamento não tivesse ganho. Mas não é por isso que se pode dizer desde já que a de Lisboa, descartada em Junho pelo Governo, tivesse sido vencedora. Sim, houve muito quem defendesse a tese "se Lisboa fosse candidata a receber a EMA teria muito mais hipóteses de ganhar do que o Porto".
segunda-feira, outubro 02, 2017
O grande vencedor?

terça-feira, setembro 26, 2017
A jogada de Azeredo Lopes
sexta-feira, setembro 22, 2017
D. António Francisco dos Santos
PS: entretanto outro antigo bispo relacionado com a Diocese do Porto deixou-nos. D. Manuel Martins, o primeiro bispo de Setúbal, entronizado numa altura crítica, em 1975, enfrentou grandes adversidades políticas (e não necessariamente com os comunistas) e sociais. Nunca deixou de denunciar a fome e a pobreza da sua diocese em momentos críticos, e ganhou grande notoriedade por isso. Recordo que depois da sua resignação ao cargo, já bispo emérito, serviu durante algum tempo o cargo de pároco da ilha do Corvo, segundo ele próprio, por espírito de missão mas também por grande curiosidade em conhecer aquele meio tão isolado.
quinta-feira, setembro 21, 2017
Debates no Porto
sexta-feira, junho 23, 2017
S. João mutilado
Mesmo nas alturas em que não pude ir ao S. João estando no Porto (porque tinha exames, por exemplo), havia uma coisa que não faltava e que estava lá sempre: os pontinhos iluminados no céu, lançados de todos os pontos da cidade. Sempre gostei imenso de os ver, e avistar o primeiro dava-me logo entusiasmo para a noite (quando podia ir, claro).







