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sexta-feira, julho 05, 2024

O carrasco do costume

E pronto, a França voltou a ser a Bête Noire da selecção e a vencer sem convencer nem merecer. Mas ao menos Deschamps teve a giragem de tirar Mbappé quando era devido.

Ronaldo esteve de novo uma perfeita nulidade. Em cinco jogos, dois com prolongamento, consegue o feito de marcar zero golos. Felizmente para o seu clube de fãs, João Félix falhou o único penalty. Pelo que vou lendo, já têm o bode expiatório que queriam. E se Portugal se classificar para o próximo mundial, lá o teremos de novo, sob a aura de "melhor do mundo". Até lá, a selecção não voltará a ser uma equipa a sério.

Quanto à França, uma desilusão. Só com muita felicidade ultrapassam a Espanha, mesmo faltando a esta alguns titulares

sexta-feira, março 31, 2023

Desvarios do "nosso" jornalismo

Não resisto a este desvario do nosso jornalismo: a dada altura do jogo entre o Luxemburgo e Portugal, no último Domingo, que acabou com meia dúzia de "secos" infligida à equipa do grão-ducado, saiu um jogador luxemburguês com uma tatuagem de uma ave no pescoço. O comentador televisivo, de imediato, afirmou que era um sinal de pertença usar uma tatuagem "da águia do Luxemburgo".

Pena é que o símbolo do Luxemburgo seja um leão rampante e que a ave da tatuagem fosse uma coruja. É o que acontece quando os comentadores desportivos decidem encher chouriços durante a partida, desatando a inventar. Qualquer dia surge um jogador sportinguista com uma tatuagem de uma andorinha e há de aparecer alguém a referir-se à "águia do Sporting".



Ah, e claro, também houve isto. Se não conseguirem ver, é a página de Facebook de Ribeiro e Castro em que ele mostra uma reportagem na RTP-3 em que o ministro do Interior francês se refere à violência de grupos de "extrême gauche" e nas legendas aparece "grupos de extrema-direita". Julgo que podemos falar num pequeno finis hebdomadis horribilis ("fim de semana" em latim macarrónico) para o jornalismo português.

quinta-feira, junho 17, 2021

Importações da Hungria

 

Portugal pode ser campeão europeu em título, possuir um punhado de jogadores de imensa qualidade e ser comandada por um homem sedento de quebrar novos recordes. Mas a verdade é que bateu uma selecção húngara que, embora aguerrida e puxada por um estádio inteiro (um luxo único nos dias que correm), não é lá muito talentosa.
Não sei o que aconteceu ao futebol húngaro nas últimas décadas (há uns vinte anos era ainda pior), mas na primeira metade do séc. XX, e ainda mais nos anos 50, os magiares eram do melhor que havia a tratar a bola e o grande expoente deu nome ao estádio do jogo: Ferenc Puskas, um autêntico bombardeiro da área. Os húngaros esmagavam quem lhes aparecesse na frente e causaram grande surpresa ao perder a final do mundial de 1954 com a Alemanha (já tinham perdido outra, com a Itália), um daqueles jogos que quebra a regra do "só os vencedores são recordados".
Um dos sintomas da decadência húngara é ver que o treinador da sua selecção é...italiano. Noutros tempos, os técnicos húngaros deviam ser a maior exportação do país e nos anos 30/40 boa parte dos treinadores dos clubes portugueses provinham da Hungria. O mais famoso de todos era Bela Guttmann, de quem tenho aqui a biografia para ler, mas houve muitos que se naturalizaram portugueses, por aqui ficaram e até se naturalizaram, mudando o dome próprio, casos de Janos Biri (dos técnicos mais longevos do Benfica) e Mihail Siska, que passaram a chamar-se João Biri e Miguel Siska. Um caso curioso é o de Lipo Herczka: primeiro treinador campeão pelo Real Madrid, vem para Portugal, ganha vários títulos pelo Benfica e depois corre o país treinando Porto, Académica, Estoril, Vila Real (será que o meu avô o conheceu?) até acabar em Montemor o Novo, no Alentejo. Literalmente, porque lá morreu e está enterrado, como nos recordou Rui Tovar. E no Alentejo houve mais, talvez porque a paisagem lhes fizesse recordar a grande planície da Panónia.

segunda-feira, julho 11, 2016

Campeões da Europa


 
Sim, a hora chegou. Eram dez e meia da noite, mais uns minutos, hora portuguesa, quando o apito final do árbitro nos deu a Taça que tanto e há tanto tempo queríamos. Ainda tenho as emoções de ontem cá dentro, não consigo deixar de ver imagens dos momentos mais importantes e sinto bem o cansaço da adrenalina liberta e das comemorações nas ruas do Porto, depois de ver o jogo com amigos, em casa de quem vi todos os "mata-mata". Como em todo o país, as ruas encheram-se de carros a apitar, de colunas de pessoas felizes e descontraídas, a baixa da cidade parecia reviver um fim de semana animado e colorido, e os Aliados estavam cobertos por uma multidão festiva e ordeira. O entusiasmo crescia quando nos ecrãs aparecia algum jogador como Éder, o herói da noite, cujo nome era ouvido e aclamado em toda a parte, e transformava-se em euforia quando o hino nacional era tocado, ou então uma música icónica da ocasião, como A Minha Casinha, versão Xutos.
 
É o culminar de um mês que começou com quase indiferença e falta de entusiasmo, que passou a ser de desespero, de aceitação, e por fim, de confiança numa vitória improvável. Nunca como agora vi as pessoas tão confiantes numa vitória da Selecção. Até eu, incorrigível pessimista, tinha uma enorme crença de que ia sair algo de memorável. A expectativa desceu, com a lesão indecente de Cristiano Ronaldo, o homem que mais queria pisar aquele relvado. Mas a sorte protege os audazes, e a glória os que têm decisões temerárias. e não podia haver escolha mais temerária do que lançar Éder; quando entrou em campo, dizia-se a brincar que o máximo seria ganhar com um golo de Éder. E aconteceu mesmo. Teve uma oportunidade, falhou, tentou de novo, e enfrentando sozinho a defesa francesa e a maioria dos espectadores do Stade de France, com um pontapé desengonçado, chutou um torpedo para a glória. O jogador cuja convocatória todos criticaram e zombaram tornou-se o herói de um país. Não mais o nome deste originário de Bissau que cresceu num lar nos arredores de Coimbra será esquecido. Nem o dos outros 22 companheiros, e muito menos de Fernando Santos. A Taça é deles, e consequentemente, nossa. Esta glória, esta alegria, ninguém nos tira.
 
 

domingo, julho 03, 2016

Por uma missão redentora


A verdade é que, descontando os artigos chauvinistas e ressabiados de alguns pasquins por essa Europa fora (particularmente no país anfitrião), Portugal teve os quartos de final menos meritórios de quantos passaram à fase seguinte. O nosso próximo adversário, Gales, ultrapassou a favorita Bélgica de forma magistral; a Alemanha expurgou a bête noire Itália, a quem nunca tinha ganho numa fase final, também depois de um 1-1 e de grandes penalidades (aliá pessimamente marcadas), mas a Itália é a Itália, superior a qualquer Polónia, por mais que esta tenha um Lewandowski melhor que todos os atacantes transalpinos da acutalidade juntos; e a França despachou a outsider Islândia com uma goleada descansada.

Mas ninguém se fie nas debilidades, até porque na quarta Ramsey estará fora, para alívio dos "famosos" e Raphael Guerreiro estará de volta. E se Portugal for à final, encontrará ou o colosso alemão, com quem nos últimos encontros não se saiu airosamente, e que motivará evidentes metáforas com a situação na UE, ou enfrentará a própria França, ali, no Stade de France. A selecção da casa, que nos momentos decisivos sempre nos venceu. Pode ser uma humilhação, uma derrota, uma secundarização melancólica, a desforra cruel de todos os que têm dito horrores desta turma de Fernando Santos, para tristeza ainda maior, na semana seguinte, de todos quantos trabalham em França. Ou uma vitória épica, mesmo que seja no fim de um prolongamento ou de novo nos penaltys, a redenção total de uma selecção, e porque não, de um país, ali, em frente à maior arena francesa, com Platini e Zidane a engolir em seco, o Arco de Triunfo a desbotar as falsas vitórias, os chauvinistas em urros e as gerações que ali chegaram desde os anos sessenta e comeram o pão que o diabo amassou, enfim redimidos com a sensação de triunfo e de orgulho na alma pelo país que nunca esqueceram.

Mas antes é preciso derrotar o País de Gales, Gareth Bale, o sentimento gaélico, e tudo o mais. Não vai ser nada simples. A confiança dos galeses está nos píncaros e tudo farão para levar o nome de Cymru a Saint Denis. Por isso, a missão da Selecção é por demais complicada. Têm de o conseguir. No pain, no gain.

quinta-feira, junho 23, 2016

Hungria-Portugal


Ah, a Selecção. Não percebo o porquê de tantas críticas. Vi o incrível jogo de ontem cá fora, na inclinação da Passos Manuel (a Fanzone da praça D. João I estava impossível, em boa parte por causa da publicidade; uma coisa a rever), com espírito mais a quente (e o corpo, com o calor que se fazia sentir). Os golos, a emoção, a raiva, a esperança...Não se diga mal da Selecção: marcou três golos incríveis, ultrapassou todas as expectativas, merece todos os parabéns.

Sim, a selecção da Hungria voltou em grande depois de 30 anos de ausência, e até agora, podem ser apelidados de novo de "Invencíveis Magiares". Puskas e Czibor ficariam orgulhosos. Só o Kiraly, que tive oportunidade de insultar há muitos anos no Bessa, numa Boavista-Hertha, desiludiu e talvez não tenha impressionado Meszaros.

Mais a sério: a nossa desiludiu naquele que era o grupo mais fácil do torneio. Bem sei que ontem houve bastante infortúnio naqueles dois golos de ressalto, nos quais Rui Patrício nada podia fazer. E que CR7 voltou a ser o jogador determinante e brilhante que é na maior parte dos jogos. Mas impunha-se mais, sobretudo naquela defesa a roçar o anedótico. Escapámos por pouco, mas não prevejo milagres contra a Croácia, a equipa que melhor futebol mostrou no torneio. Aliás, uma das alarvaidades que se tem ouvido é que Portugal "teve sorte" porque escapou à Inglaterra e apanhou a Croácia. Como se Modric, Rakitic, Mandzukic e restante trupe fossem inferiores ao Rooney, Sturridge, ou Sterling (embora haja nos Three Lions muitas promessas interessantes). A razão terá a ver com os adversários posteriores, que são mais complicados no outro encadeamento, mas se não se passar a Croácia isso de pouco adiantará.

Ao menos que Ronaldo marque um golo. Ou dois. Só para atingir o recorde de golos de Platini em europeus e o deixar aborrecido.

O Pantera Negra ao lado de um dos maiores treinadores que já trabalharam em Portugal. Houve boas influências húngaras no futebol português.


PS: surreal a aparição de Marcelo na zona de entrevistas curtas, reservada a desportistas. Alguém reparou que viktor Orbán também lá estava?

segunda-feira, dezembro 14, 2015

Áustria-Hungria


A propósito dos adversários do grupo que a selecção portuguesa vai encontrar no Euro-2016 (Islândia, Áustria e Hungria), lembrei-me de um episódio passado com o Arquiduque Otto de Habsburgo, filho do último Imperador austro-húngaro (que está sepultado no Funchal): quando lhe disseram que ia haver um jogo entre selecções de futebol, quis saber quem jogava; "Áustria-Hungria", responderam, ao que perguntou: "e contra quem?"

quarta-feira, julho 01, 2015

Sub-21, talentosos mas sem troféu






Uma pena a derrota nos penaltis dos sub-21na final contra os suecos. Depois dos sub-20 terem sido também eles superiores ao Brasil e perdido da mesma forma, as grandes penalidades voltaram a ser o grande problema, mesmo como um enorme José Sá na baliza. E assim, outra geração talentosa, certamente mais do que a sueca (que nunca tinha ganho nada nos níveis de formação), fica sem títulos. Triste sina. Ainda assim, jogadores como João Mário, Bernardo Silva, William de Carvalho ou Sérgio Oliveira mostraram - ou confirmaram - todo o seu valor. Mas mereciam mais. Único consolo é que, fosse quem fosse o vencedor, haveria um jogador benfiquista a ganhar. E Lindelof mostrou a sua ligação já de medalha ao peito.

sábado, novembro 29, 2014

E ensinar a alguns jornalistas algumas noções de geografia política?

É curioso ver algumas gaffes ou omissões dos nossos jornalistas televisivos. Na última semana encontrei dois casos que mostram o incrível desconhecimento (de geografia política, sobretudo) da classe do que se passa no Mundo.
Achava que o nosso jornalismo desportivo era melhor, mas aparentemente enganei-me (o televisivo, pelo menos). Ainda sobre o Portugal-Argentina de há dias, um jogo maçador e frustrador das expectativas de quem ia ver um duelo de selecções entre Cristiano Ronaldo e Messi, era bom saber quem teve a ideia de marcar aquele jogo no estádio de Old Trafford, casa do Manchester United, à mesma hora de um Escócia-Inglaterra. Como era de prever, só esteve meia casa, e quase ninguém devia ser britânico, a avaliar pelas bandeiras e pelas feições do público. O que não admira. o confronto entre ingleses e escoceses é o mais antigo entre selecções, e ainda mantém alguma chama de rivalidade, provavelmente atiçada com o recente referendo sobre a autodeterminação na Escócia. Ou seja, os ingleses estavam todos a ver o jogo da sua equipa, que aliás até ganhou. Mas na maçadoria do jogo, e por causa das múltiplas nacionalidades presentes no estádio, sobressaiu a certa altura a entrada de um adepto pelo relvado dentro. Os stewards agarraram-no e a brincadeira acabou ali. Os jornalistas, entre gracejos, repararam que tinham uma camisola argentina, mas provavelmente por ignorâncias, não falaram da bandeira que adepto empunhava, que era simplesmente a do Curdistão. O que se percebe perfeitamente, numa altura em que os curdos, ao mesmo tempo que têm mais autonomia do que nunca, debatem-se com a ameaça do autodenominado "Estado Islâmico", ou califado do Levante. Aparentemente ninguém na imprensa portuguesa referiu isso. Caso fosse, por exemplo, um palestiniano, ou um catalão, com toda a certeza que não se esqueceriam. Mas como a causa curda não tem a mesma popularidade e provavelmente acharam que aquela bandeira tricolor com um sol no meio era apenas o distintivo de um qualquer clube de futebol, a coisa passou incógnita. Para uns será um pormenor de somenos. Para outros, e olhando para o que se passa na região do Curdistão, deveria ser uma falha digna de repórteres apenas e só da bola, como se demonstrou ser.


E ontem, mais uma falha, esta quase burlesca: aquela em que um jornalista, nos Emirados Árabes Unidos, relatava a visita de Cavaco Silva à federação da Arábia, dizendo que o chefe de estado português seria recebido pelo "príncipe herdeiro e presidente da república". Um paradoxo só explicável por se tratar de uma monarquia electiva, mas que nem por isso se trata de uma república, nem tem um "presidente".


segunda-feira, junho 23, 2014

Desconsolo e desperdício

 A quase eliminação de Portugal do Mundial não seria apenas uma desilusão: em termos de reconhecimento mundial seria uma tragédia. Digam o que disserem, Portugal quase só é conhecido no Mundo por causa do futebol. Não comparem o fado, as praias, o galo de Barcelos e o vinho com a popularidade de que goza Cristiano Ronaldo, como antes a tiveram Figo e Eusébio. Mas esta eliminação pré-anunciada é particularmente dolorosa por ser no Brasil (incrível como até aí os portugueses conseguem estar em minoria) e contra Alemanha e EUA. Contra este último, na única coisa em que poderíamos ser melhores do que eles, conseguimos até nisso ser suplantados. No caso da Alemanha, seria um tónico contra o país que efectivamente controla a UE, mas fomos completamente dominados pelos germânicos e motivo de gozo na imprensa brasileira. Em suma, desperdiçámos a única coisa em que somos efectivamente conhecidos contra países que não precisam do futebol para isso. Neste momento, infelizmente, Portugal é uma irrelevância em tudo.
 
Sempre temos o S. João, para aliviar mágoas.

segunda-feira, junho 16, 2014

Recado à equipa nacional

 

Cara Selecção, não te esqueças que não estás em território desconhecido: essa cidade onde mais logo vais jogar foi fundada e erguida por portugueses, bem como as suas centenas de igrejas e a sua cultura mestiça, e serviu como primeira capital do território brasileiro por ordem do seu primeiro governador-geral (e fundador) Tomé de Sousa, ainda antes do Rio. A arquitectura que vês no centro, as igrejas, o pelourinho, os palácios, são tudo obras de portugueses (o resto deixámos aos bahianos indígenas, embora tenhamos dado alguns empurrões, nem sempre muito exaltantes, como os escravos trazidos de África, antepassados dos muitos negros dessa cidade). Não te esqueças igualmente que a cruz de Cristo que figurava nas naus de Pedro Álvares Cabral é a mesma que trazes incrustada na tua camisola. Por isso, reflecte nisto antes de enfrentares uma mannschaft cujos adeptos têm mais a ver com as regiões lá de baixo, em Porto Alegre, e honra os teus símbolos e a tua memória em terras que os teus ajudaram a construir. Só te peço isso.


Adenda - das três, uma: ou não leram este recado, ou uma mãe-de-santo lançou um mau olhado (o que explica as lesões de Coentrão e Almeida, e outras coisas) ou a recuperação de Schumacker deu uma imparável energia aos teutões. é que ao fabuloso dia desportivo para os alemães corresponde uma desastre incrível para Portugal, que sofre a maior goleada de sempre em Mundiais, perde dois jogadores por lesão e outro por castigo, e fica dependente dos próximos resultados e até da combinação de jogos entre terceiros.




terça-feira, novembro 19, 2013

Ousar jogar, ousar vencer!


A Selecção Nacional em versão mural-MRPP, com Cristiano Ronaldo em pose Arnaldo Matos, ou uma capa de A Bola que se deverá recordar (pela estética, certamente, mas esperemos igualmente que pela premonição). Contra a reacção ibrahimovista nórdica! Ousar jogar sem ser a defender o 1-0, ousar vencer!
 

quarta-feira, junho 27, 2012

A eterna refrega com os vizinhos



Reedita-se o duelo de há dois anos com a vizinha Espanha, cuja vitória seria o primeiro passo para a tingir o topo do Mundial. Vantagens deste ano: a equipa parece mais coesa, Crisnaldo mais convicto e mais em forma, o técnico é Paulo Bento, e não carlos Queiroz, e David Villa não joga pela Espanha. Desvantagens: ausência de um verdadeiro ponta de lança português, e as declarações de Platini (que tinha de ser absolutamente imparcial), mostrando as suas preferências por uma final Espanha-Alemanha. Sabe-se que uma tal final, igual à de há dois anos, seria a favorita dos patrocinadores. O francês que preside à UEFA acaba de mostrar que está ao lado deles. Será mais uma dificuldade acrescida para o jogo de hoje, mas no futebol são onze contra onze e no fim nem sempre ganham a Alemanha...ou a Espanha. Esperemos pois que a tenacidade lusa se reflicta nas trombas de Platini e de Casillas. Não seria a primeira vez, aliás, que Portugal derrotaria espanhóis auxiliados por franceses, e superiores em número (se desta vez os turcos da arbitragem entrarem na brincadeira). Nem que os portugueses venceriam em Donetsk: nas suas passagens por esta cidade, Benfica Porto e Sporting levaram sempre de vencida a equipa da casa. Eliminámos a espanha em 2004, em alvalade, e há coisa de ano e meio aplicamos-lhe uma surra de 4-0. Bons prenúncios e motivação extra não faltam, agora é só esconjurar o Fado, o que não é coisa inédita.

sexta-feira, junho 22, 2012

Declaração a Karel Poborsky


Caro Poborsky, gostava muito quando te via jogar, mas desculpa lá, ainda gostei mais de ver a tua "maldição" definitivamente afastada.

quinta-feira, junho 21, 2012

Críticas não são depreciações


Antes eram as críticas a Cristiano Ronaldo, esse "arrogante endeusado" que "na Selecção nunca joga nada". Passou a Holanda e "onde estão os que criticavam Ronaldo", que "deu aos caluniadores uma bofetada de luva branca"? Dos que são visceralmente anti-Cristiano não sei, mas pela minha parte vociferei furiosamente contra o craque do Real Madrid no jogo com a Dinamarca porque me pareceu realmente displicente e negligente, pouco trabalhador e solidário, a léguas do que costuma jogar em Espanha, e isso podia custar caro à equipa. Criticar quando as coisas estão mal não é anti-patriotismo nem coisa parecida: é apontar erros, repreender, espicaçar, até. E parece que o craque português se sentiu espicaçado a sério, porque dois golos, duas bolas no poste e mais um conjunto de jogadas e passes perigosos são próprios de quem acusou o toque. É o velho problema da liberdade de expressão, agora aplicado ao futebol: é muito fácil ser-se tolerante quando as críticas não se aplicam a nós, mas se alguém se lembra de fazer juízos menos abonatórios a algo a que se tem ligações, tem de contar com fúrias desusadas e acusações de ser anti-qualquer coisa. Sim, haverá em Portugal adeptos do "anti-ronaldismo" (como lhe chama Pedro Lomba em artigo recente, considerando que esta é a "melhor selecção de sempre", um exagero oposto ao de Miguel Sousa Tavares, que ele cita, e que se auto classifica como sendo"anti-Selecção"), que normalmente na guerra de craques preferem sempre Messi. Mas não são certamente todos os que o criticaram quando merecia. Ronaldo é um atleta impressionante, tem uma força de vontade e de trabalho e uma capacidade física do outro mundo, e só por grosseiro cinismo se pode não ficar espantado com a quantidade infinda de golos que marca, alguns de execução bem complicada. mas não ha nenhum dogma que o proteja nos maus momentos, até porque reúne boa parte dos defeitos dos futebolistas que ascenderam ao estrelato (a que chegou com grande mérito, diga-se).

Dito isto, haverá outra razão para que Cristiano Ronaldo tivesse jogado como jogou contra a Laranja Mecânica: é que da última vez que os defrontámos, no Mundial de 2006, na célebre "Batalha de Nuremberga",a táctica da trupe dos Países Baixos, treinada por Van Basten, consistia antes de mais em lesionar o madeirense, coisa que até conseguiram. Se António Vieira tivesse assistido ao jogo, o fragor dos seus sermões certamente redrobraria. Seguiu-se uma autêntica refrega, a meio da qual Maniche marcou o único golo do jogo, que acabou com um número recorde de cartões. Ronaldo certamente lembrou-se da forma como o trataram e vingou-se da melhor forma que sabia: com um grande jogo, que só pecou pela vitória escassa perante uns holandeses absolutamente impotentes para o travar.


Agora calhou-nos na rifa a República Checa, nos quartos de final, em vez da Rússia. Tal como em 1996. Mas agora espero resultado diferente. Basta estudar bem aquela equipa e jogar com humildade, com a certeza de que Petr Cech, Milan Baros & Cª não vão facilitar. Gostava muito de ver jogar Karel Poborsky, mas não quero revisitar o pesadelo do seu portentoso chapéu sobre Baía.

quinta-feira, novembro 17, 2011

Assobios


A tão badalada selecção bósnia, com o temível Dzeko à cabeça, acabou por ser despachada da Catedral da Luz por expressiva goleada, e assim a Selecção Portuguesa lá irá a mais um Europeu de futebol, evento que não falha desde 1996. Mas desagradou-me ver o público português assobiar o hino da Bósnia-Herzegovina. Por pior que fosse o estado do relvado do recinto em que nos acolheram (quando havia melhor em Sarajevo), o volume dos insultos com que brindaram a Selecção, as provocações a Ronaldo, a intensidade dos laseres para os olhos e os seus próprios assobios, os hinos devem ser sempre preservados. Representam todo um povo, incluindo os respectivos bárbaros, mesmo que sejam a maioria, e são a expressão musical da sua alma. É um dos raros símbolos com que os nacionais de um país ainda se identificam. Por isso, as assobiadelas não fizeram sentido, ao contrário da goleada e de algumas brincadeiras supervinientes. Um povo antigo como o português jamais devia descer ao nível dos balcânicos e do seu atabalhoado e artificial estado com menos de vinte anos. O insulto tem atenuantes, mas não desculpas.

terça-feira, agosto 23, 2011

Os bravos sub-20


Fui dos que pouco liguei no início. Depois, vi parte do fraquíssimo jogo com o Guatemala e temi o pior no confronto com a Argentina. Aí, teve lugar uma emocionante disputa de penaltys em que da desvantagem de dois se chegou ao triunfo sobre as Pampas. Não vi as meias contra a França, nossa velha bête noir nestas coisas, mas finalmente levámos a melhor e chegamos à final. Não quis do destino nem as forças físicas que imitássemos 1989 e 1991, mas esta Selecção de sub-20, pela qual poucos davam alguma coisa, portou-se à altura de um campeão e provavelmente merecia mais. O jogo contra o Brasil podia ter sido ganho, mas algumas falhas e o esgotamento visível nos jogadores levou ao desfecho a favor dos brasileiros. Mas as palmas que receberam à chegada a Portugal são totalmente merecidas. Agora espero que os seus clubes olhem mais para eles e que os aproveitem devidamente, ainda que com algumas rodagens pelo meio. Acima de tudo, espero que o Benfica aproveite Nélson Oliveira (cuidado, Cardozo) e Mika já este ano e não se esqueça de Roderick e Luís Martins, para que não sigam o caminho de Danilo ou Mário Rui. Fica o grande consolo de que afinal de contas o futuro da Selecção Nacional pós-Cristiano Ronaldo pode estar assegurado.

quarta-feira, setembro 15, 2010

O aterro federativo
O outro caso da época, evidentemente, é o da novela da Selecção, que parece estar perto do fim, se bem que pouco feliz. Nunca fui adepto de Carlos Queiroz, e só desejava que ele tivesse ficado há dois anos em Manchester, a planear tranquilamente as tácticas de Sir Alex, sem se maçar em ir para o relvado. Mas já que o contrataram por quatro anos (supremo disparate), ficava-se com ele até ao término do contrato. O Mundial foi modestozinho, mas sempre passamos a fase de grupos, e cumpridos os mínimos, o técnico deveria permanecer. A história dos testes antidoping e das discussões de Queiroz na Covilhã são uma pretexto mal disfarçado para o pôr fora sem lhe pagar muito. Se servisse para alguma coisa, seria bom recordar que deve haver um mínimo de ética e que a Federação é que resolveu ir buscar o ex-seleccionador. A partida que lhe fizeram é demasiado indecente para passar sem mais. Como é óbvio, os chicos-espertos federativos estão-se a marimbar para tudo isso e querem é livrar-se do homem por qualquer meio, com a cumplicidade bem explícito do bonzo Laurentino. O que se segue é facilmente previsível: contrata-se novo técnico, dá-se uma indemnização - que remédio - a Queiroz e tenta-se apanhar os cacos dos primeiros jogos da equipa nacional para o Europeu de 2012. Só que todo este caso já

a causou mossa, como se viu no pontinho ganho em dois jogos, num vergonhoso empate caseiro com Chipre, que nos marcaram quatro golos. E parece-me que nem Paulo Bento, o mais que provável futuro seleccionador, possa vir a trazer qualquer tipo de tranquilidade à equipa.


O maior drama é pensar que os actuais elementos federativos (Madaíl, o inamovível Amândio de Carvalho, etc) vão permanecer no cargo. Isso mesmo afirmou Lourenço Pinto, presidente a Associação de Futebol do Porto, que assegurou que todas as associações distritais estão com Madaíl. conclusão: não haverá sequer espaço para candidaturas diferentes, e teremos que gramar com a tralha federativa toda, fazendo campanha pelo aviltante e parolo "mundial ibérico" e figas pela qualificação para a Polónia/Ucrânia, com o beneplácito do dispensável Laurentino Dias. Ah, não haver um "Apito Dourado" na Federação, com resultados palpáveis, para tapar esse autêntico aterro sanitário desportivo

domingo, maio 30, 2010

As vuvuzelas da desgraça

A extraordinária turma que o Professor Carlos Queiroz resolveu levar à África do Sul teve a sua primeira "prova de fogo" contra Cabo-Verde, formada sobretudo por jogadores das divisões secundárias do campeonato. O resultado saldou-se por um rotundo zero, e a exibição, que eu não vi, segundo rezam as crónicas, esteve pouco acima da nulidade. Na Covilhã, por entre os bocejos, safaram-se Nani e um Coentrão a querer mostrar serviço. Nada que espante muito de jogadores a querer poupar-se para os jogos a sério; mas espanta ainda menos se pensarmos no grupo em questão, e que o seu treinador é Carlos Queiroz. Uma selecção que pretende ultrapassar a Costa do Marfim, enfrentar o Brasil e dominar a Coreia do Norte não colherá certamente bons augúrios ao não conseguir fazer um golo aos bons ilhéus.
A convocatória tem toda ela disparates que não se percebem, como as chamadas de José Castro e Ricardo Costa, que pouco jogaram este ano, a de Beto que também pouco esteve na baliza, e pior ainda, a de Daniel Fernandes, deixando de fora jogadores como Quim, guarda-redes dos campeões nacionais e o menos batido do campeonato, e Makukula, autor de 21 golos esta temporada, na Turquia. E talvez João Moutinho tivesse lugar. Vá lá que não leva Boa-Morte ou Caneira...
Todas as selecções têm escolhas mais bizarras ou duvidosas, e nenhuma está isenta de polémicas. Há sempre quem fique desiludido por não ir, e quem não compreenda certas chamadas. Mas Queiroz exagera. Há coisas simplesmente estapafúrdias aos olhos de qualquer leigo na matéria. Juntando isso ao facto do seleccionador nacional ser um perdedor profissional, com um currículo inversamente proporcional à importância das equipas que treina, que na sua longa carreira apenas obteve os dois títulos de juniores e uma Taça de Portugal, é de esperar o pior. Para mais, o Mundial será fora da Europa, na África do Sul; talvez os portugueses lá emigrados se disponham a deixar as suas lojas trancadas para apoiar a equipa, mas é bom recordar que nunca fora do seu continente Portugal teve uma prestação positiva num _mundial de futebol (um trauma que se estende às restantes equipas europeias, já que nunca nenhuma conseguiu ganhar a Taça fora do Velho Mundo). A coisa não promete grande sucesso. E as irritantíssimas vuvuzelas são como que trombetas de desgraça. Pode ser no entanto que para nós haja milagres e soem antes as trombetas de Jericó, derrubando as muralhas adversárias. Mas seria melhor sem os Black Eyed Peas na bagagem (outra brilhante escolha do Prof. Queiroz).


quinta-feira, julho 24, 2008

Tudo tem um fim II


Por muito que Figo, Rui Costa e Paulo Sousa tenham sido os elementos da "Geração de Ouro" a obter mais sucesso internacional, o seu grande símbolo será sempre João Vieira Pinto. Atesta-o o facto de ter sido o único bicampeão de júniores das equipas de Queiroz que lograram o feito, além dos dois golos marcados à Nigéria em 1989. Passou um ano nos desperdícios do Atlético de Madrid e regressou vacinado contra idas para o estrangeiro. Formado no Boavista, ao qual deu muito dinheiro pelas suas transferências, tornou-se o craque da Luz e humilhou o chico-espertismo de Sousa Cintra e um Sporting que já se via campeão naquele mágico e inimaginável 6-3, de tal forma que ainda hoje é o único jogador a quem A Bola deu nota 10. continuou no Benfica como o "Menino de Ouro", ganhou uma Taça, suportou os piores tempos da Luz até que Vale e Azevedo e o gélido Jupp Heinkes o expulsaram do Benfica, coisa que provocou reacções de fúria e desespero. Ainda me lembro dos adeptos à porta do estádio, dia e noite, a clamar para que ficasse, ou de Maria João Seixas,abrindo o seu programa com uma mensagem de apoio ao jogador. Não tenho a menor dúvida de que em boa parte Vale e Azevedo acabou ali com as hipóteses de reeleição.


Depois, a tristeza de vê-lo no Sporting e a fazer dupla com Jardel, dupla essa em tempos sonhada para a Luz. Ou por vê-lo a socar um árbitro, momento fatal que deu início ao declínio da sua carreira e a nunca mais envergar as Quinas. Regresso ao Boavista, passagem pelo Braga, um vago projecto de jogar no Canadá, e por fim a declaração de adeus. com quase 37 anos, um filho já a jogar na 1ª divisão, centena e meia de golos no campeonato e, salvo erro, sendo o jogador com o maior número de jogos realizados na prova. Não, jogadores como este, geniais, imprevisíveis, impetuosos até demais, não se esquecem. São eles que escrevem capítulos inteiros na história do futebol. Obrigado por tudo, Capitão.