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quinta-feira, dezembro 23, 2021

Uma colectividade de bairro de uma cidade transmontana

As pequenas colectividades contam muitas vezes a história dos locais que representam. Como a do Bairro Latino, clube desportivo do bairro dos Ferreiros, que desce abruptamente desde a imponente ponte metálica até à velha ponte de Santa Margarida, de pedra, ambas sobre o Corgo. Diz-se que um conjunto de estudantes de liceu locais encontrou algumas semelhanças entre o Quartier Latin de Paris e o seu bairro dos Ferreiros, zona de artesãos e, dizia-se, de casas de má fama, e impulsionados pelo Dr. Otílio de Figueiredo, Pai do Professor Eurico de Figueiredo (sim, o líder mais radical da greve estudantil de 1962 e mais tarde deputado do PS antes de passar a outros partidos, como o PDR e o MPT), resolveu criar um clube com o nome de Bairro Latino, dando conta que a rua principal e as ruelas que a ladeavam eram tantas como as línguas latinas. Apesar de muito eclético e de ter várias modalidades de salão e exteriores nunca teve um campo de jogos próprio nem nunca conseguiu ombrear com o vizinho maior, o SC Vila Real, que não lhe permitia jogar no mítico campo do Calvário. O Bairro Latino quase desapareceu, mas voltou a conseguir sede própria, próxima da antiga (onde ao que parece as francesinhas estavam ao nível das do Cardoso, lá em cima na "bila"), onde hoje funciona a Agência de Ecologia Urbana, mesmo à entrada da velha ponte sobre o Corgo (e por baixo da metálica), símbolo maior do velho bairro que representa.

O SC Vila Real, pelo contrário, além de campo próprio (agora até tem dois, ambos com nomes curiosos, Calvário e Monte da Forca), possui o seu próprio bar/loja no espaço nobre do centro da cidade (última foto) e continua a ser a principal agremiação desportiva da cidade.

Seja em aldeias, lugares, vilas ou bairros de cidades, as pequenas colectividades, constituídas em associações, grupos, agremiações e uniões acrescentados dos inevitáveis "desportiva", "recreativo", cultural", etc, constituem um elo de ligação das comunidades, uma oportunidade para a prática desportiva, para difusão cultural ou de informação ou o simples convívio, que no fundo é o que mais importa. São absolutamente essenciais em qualquer sociedade e para todas as idades. Quando desaparecem, extinguem-se também com elas ligações, amizades, práticas rotineiras, exemplos de vida e sobretudo muitas histórias. Quando isso acontece, é a antevisão do declínio das sociedades locais que representam, a não ser quando outras as substituam com sucesso.

                                             As duas pontes: a de Santa Margarida e, lá em cima, a ponte metálica




Vista do bairro, do rio  e da velha ponte desde a ponte metálica

O bar/loja do SC Vila Real

O mítico campo do Calvário, há meia dúzia de anos, depois de ser relvado

quarta-feira, junho 02, 2021

Festivais, polémicas e coincidências

 

Regressou na semana passada o Eurofestival da Canção. Pela primeira vez, julgo eu, Portugal apresentou-se com uma canção em inglês. Não percebo porque é que numa prova musicial em que se colocam a julgamento representantes de países não se exige que cantem nos idiomas respectivos, ou se houver mais do que um, nalgum deles. A verdade é que os suecos Abba já ganharam por cantar em inglês, e depois de ter visto alguns concorrentes, os representantes portugueses deste ano, comandados por um senhor com pinta e nome artístico de índio norte-americano, estavam longe de envergonhar. 

O que me pergunto é se em tempos de políticas identitárias, culturas de cancelamento e revisões da História, os representante portugueses poderiam ser os Da Vinci, que há cerca de 30 anos, e com assinalável notoriedade, puseram um país a cantar "já fui ao Brasil, Praia e Bissau..." no tema "Conquistador", em cujo videoclip surgiam em destaque o Padrão dos Descobrimentos, o navio Sagres, a Cruz de Cristo e outros elementos capazes de espalhar o horror na convenção do Bloco de Esquerda e em boa parte do festival (não digo todo porque as diferentes sensibilidades surpreendem-nos). Tenho sérias dúvidas que começasse por passar no crivo do festival nacional, antes de ir ao internacional. A verdade é que os Da Vinci, que até aí eram um grupo pop-electrónico-futurista, seguiam o caminho traçado pelos Heróis do Mar, e tal como a banda de Pedro Ayres de Magalhães e Pregal da Cunha, tiveram amplo sucesso, embora mais efémero.


A música e respectivo video recordaram-me a polémica de há poucos meses, lançada por Ascenso Simões e as suas diatribes violentas sobre o Padrão dos Descobrimentos e outros monumentos com o cunho do Estado Novo (numa, particularmente infeliz e que ele se apressou a corrigir, dizia que no 25 de Abril "devia ter havido mortos"). 

E recordaram-me outra coisa, não sei se por coincidência ou não: os primeiros padrões, possivelmente os mais conhecidos, foram erguidos por ordem de Diogo Cão, na exploração à foz do Zaire e à costa do que é actualmente Angola. O próprio Diogo Cão (e um padrão) estão entre as personagens do Padrão dos Descobrimentos. E de onde é que Diogo Cão era originário? De Vila Real, onde tem justamente uma estátua erguida em pleno Estado Novo, com estética própria da época. Mais abaixo, na principal praça da cidade, fica a casa onde se supõe que terá nascido o navegador, mesmo ao lado da câmara municipal. Câmara essa que foi nos anos noventa disputada duas vezes por...Ascenso Simões, ele mesmo, no arranque da sua carreira política. Diga-se que as duas tentativas, aliás contra o mesmo candidato vencedor do PSD, redundaram em insucesso, se bem que da primeira tivesse ficado perto, fruto da troca de autarcas, mas só vinte anos depois é que o PS conseguiria finalmente ganhar na capital transmontana. 




Mas fica-se a pensar se estas ideias recentes de Ascenso terão sido uma forma de chamar protagonismo - não seria a primeira ocasião - ou se já as teria antes. Podemos então imaginar que, caso tivesse chegado à presidência da câmara, teria tentado derrubar a estátua de Diogo Cão, legado do Estado Novo que era, e  no mínimo disfarçado a casal natal do explorador. E por arrasto, imbuído de ideias revolucionárias radicais, podia-lhe ter dado para mandar abaixo a casa vizinha: é que mesmo ao lado do imponente difício onde nasceu o navegador, uma placa, numa habitação bastante mais modesta, avisa-nos que ali nasceu o capitão de Abril e chefe operacional do 25 de Novembro Jaime Neves, embora a sua família vivesse numa aldeia a uns quilómetros, Anta (vizinha da mais "urbana"S. Martinho de Anta, de Torga). Sabe-se lá se Ascenso Simões, para quem o 25 de Abril pecou por defeito e por excessiva complacência, ao qual o 25 de Novembro não teria trazido nada de bom, não se lembraria de arrasar também esta. Mas a democracia (municipal) não o permitiu. Lá está, a democracia, outra consequência funesta dessa revolução tão festivazinha sem sangue nem justiça popular.


PS: a reboque de Vila Real e dos acontecimentos em Ceuta, ia dizer que aquele território precisava era que voltassem os Menezes, condes e depois marqueses de Vila Real e governadores daquela praça no Norte de África. Diz a lenda que D. Pedro de Menezes estava a jogar um jogo de bola com um taco chamado aleu, quando o Rei lhe perguntou se defenderia Ceuta, ao que o Menezes respondeu que com aquele aleu defenderia a cidade. Hoje o aleu figura no brasão de Vila Real. Mas dizem-me que o Embaixador Seixas da Costa já se lembrou disto há dias, nas redes sociais, e de qualquer maneira, a (antiga) Casa dos Marqueses de Vila Real já se extinguiu há muito, a mando da Casa de Bragança quando ascendeu ao trono.


quinta-feira, dezembro 22, 2016

Bisalhães, Património Cultural da Humanidade


Sabiam que os barros negros de Bisalhães, arredores de Vila Real, são desde há dias Património da Humanidade, classificação da UNESCO? A notícia passou algo despercebida, mas é verdade. Esta louça transmontana, que data de há séculos e que hoje em dia tem apenas meia dúzia de artesãos envelhecidos, que vendem a sua arte à entrada da cidade, tem agora estatuto de Património cultural da Humanidade e goza de maior protecção, nomeadamente de incentivos e formação na arte (embora a verdadeira instrução passe de pai para filho, ou de mestre para aprendiz). As noites de S. Pedro vão poder continuar a exibir a feira dos pucarinhos, com a louça negra a bordejar o largo da barroca Capela Nova. Pode parecer exagerado tanto património mundial, o que a prazo levará a um igualitarismo inconsequente, mas a verdade é que este país não é só fado, cante ou chocalhos.

domingo, maio 08, 2016

O túnel


Ontem, dia 7 de Maio de 2010, abriu-se finalmente o já quase mítico túnel do Marão, com inauguração pública a meio da tarde e a abertura ao público à meia-noite. Anos de obras, paragens, revisões do projecto, derrapagens e esperas acabaram finalmente e há já uma auto-estrada pelo Marão fora.

Será exagero dizer que é uma obra revolucionária, ou mais ainda, que o interior deixou defnitivamente de estar isolado. Outras regiões interiores que ganharam bons acessos não deram qualquer salto e continuaram a perder população. Trata-se de uma obra complexíssima e muito útil, é verdade, mas a verdadeira travessia do Marão aconteceu há vinte e tal anos, aquando da construção do IP-4. Nessa altura houve uma enorme emoção por parte de quem conhecia o caminho que atravessava a serra, sobretudo dos transmontanos (a euforia era tanta que os restaurantes de Amarante, no dia da abertura, ficaram sem comida). Até essa altura, a ligação com Trás-os-Montes fazia-se por uma estrada nacional de montanha, com centenas de curvas - não exagero, cerca de quatrocentas -  sempre com o temor de se atropelar um lobo. Do Porto a Vila Real eram duas horas e meia, se as coisas corressem bem, e ficava-se com o estômago às voltas. No Verão, com todas as festas das terras que se atravessava até ao destino, perdia-se um tempo incontável. Depois, o IP4 mudou a parte pior do trajecto, e o tempo de viagem encurtou visivelmente. A A4, primeiro até Penafiel e depois até Amarante, encurtou-o ainda mais. Mas o IP tinha notórios erros de engenharia, curvas mal feitas e mudanças abruptas de 3 faixas, que a tornaram numa estrada extremamente perigosa. Em vinte anos perderam ali a vida mais de 130 pessoas. Ainda hoje se podem ver, ao longo do caminho, diversas alminhas e cruzeiros recentes a recordar quem ali perdeu a vida. Entretanto fizeram-se melhoramentos, como barras e separadores nas faixas centrais, e a segurança melhorou visivelmente. A A4 chegou às portas do Marão, retomando o caminho em Vila Real, em ligação com a A24, chegando a Bragança em 2013. Só faltava mesmo o troço mais difícil. Custou, mas acabou-se. Entre Porto e Vila Real, se descontarmos a mais periférica A7, já se pode circular exclusivamente por autoestrada. Não é o início de uma mudança radical de acessos, mas a sua conclusão. Que só trará benefícios para a região se se desenvolver um pouco mais a incipiente indústria e a agricultura (dando incremento a projectos no papel ou suspensos, como o Cachão), bem como o potencial da UTAD e politécnicos, e não encerrarem mais e mais serviços públicos que provocam a erosão populacional. Só assim é que esta ligação dará os seus frutos aos que vivem "para lá do Marão". E Trás-os-Montes continuará a ser do interior, não precisando desse complexo provinciano de "ser do litoral", num país que pouco aposta no mar.

Resta apenas dizer que os convites feitos a Sócrates e a Passos Coelho para a inauguração do túnel foram justíssimos. Afinal de contas foram eles os principais responsáveis pelo lançamento e construção desta obra. Para mais, dois homens com origens em Trás-os-Montes. Pena o habitual protagonismo inoportuno do primeiro e a ausência mal justificada do segundo (quando a verdadeira razão até era compreensível). E pena também que boa parte da comunicação social desse mais importância às questiúnculas políticas relacionadas com os dois que à obra em si.

PS: quase de propósito, no mesmo fim de semana da inauguração, também o Desportivo de Chaves regressou à primeira divisão, coisa que ainda não tinha acontecido este século. Todas as desculpas de maus acessos até Chaves desapareceram definitivamente, embora já houvesse autoestrada até lá. E se se tivesse atrasado mais umas semanas, também o novo órgão da Sé de Vila Real, também há muito esperado e que chegou em Abril, teria sido inaugurado por estes dias.



terça-feira, março 29, 2016

Páscoa tranquila para uns e sangrenta para outros


Carnaval na rua, Páscoa em casa (ou vice-versa), diz-se popularmente. Este ano passou-se tudo em casa. Se bem que para os meus lados o tempo até tenha ajudado no Domingo Pascal e permitiu que se fizesse um conjunto de visitas a familiares nas proximidades e que o Compasso (este ano constituído em maioritariamente por raparigas, sinais dos tempos) não tivesse ficado ensopado. Chuva à parte, tudo correu bem por terras vilarealenses.

                                                    Viaduto sobre o Corgo, Páscoa 2016
 
O mesmo não puderam dizer aqueles infelizes paquistaneses que sofreram um atentado horroroso que matou mais de setenta pessoas, em grande parte crianças. Se na Europa os últimos tempos têm sido o que se sabe, imagine-se o que será no Paquistão, esse país caótico, violentíssimo e em grande parte tribal, que já viu de tudo, incluindo chefes de estado e de governo assassinados, fosse por ordem judicial, por transportes armadilhados ou por tiroteios. A população, essa, é vítima inúmeras vezes de atentados como o desta Páscoa, com os Taliban a quererem mostrar que estão activos também fora do Afeganistão. Ser-se de uma minoria, e particularmente, ser-se cristão nesse país deve ser um risco diário. Já agora, e dado que se fala tanto de islamofobia na Europa e de outras fobias, quando é que começamos a ouvir falar de cristofobia na nossa comunicação social? Os números e os factos não o justificam? Ou a linguagem politicamente correcta não o permite no seu vocabulário taxativo? 

domingo, agosto 16, 2015

Recordações da política vilarrealense numa semana amarga





As confusões com a campanha do PS custaram a cabeça ao responsável pela mesma, Ascenso Simões. Por coincidência, outro acontecimento, também nos últimos dias, levou-me a recordar os primórdios da carreira política do ex-Secretário de Estado de António Costa.


Nas autárquicas de 1993 (em que o actual líder socialista concorreu à câmara de Loures, sem êxito, com a célebre campanha do burro e do Ferrari), o jovem Ascenso era a aposta do PS para a conquista da câmara de Vila Real, dominada pelo PSD e cujo único presidente desde os anos setenta, Armando Moreira, se retirava. Pelo partido dominante apresentou-se o vereador Manuel Martins, tido como titubeante e pouco popular. Previa-se um combate renhido entre o candidato inexperiente e o homem do PSD. Lembro-me de ver Ascenso, numa tarde de chuva, com uma mini-comitiva atrás, de cabelo cuidadosamente penteado com gel e pesados óculos a entrar no estabelecimento semi-rural onde a minha família se abastecia, com ar simpático mas rígido, claramente pouco à vontade com a função.
Apesar disso, e dado o candidato laranja também não estar à vontade, acreditou-se que o PS conseguiria mesmo roubar aquele bastião laranja, até porque o CDS apresentava uma boa candidatura e tinha as suas ambições. Até António Guterres se deslocou a Vila Real para ajudar o candidato, que acabou o comício com lágrimas de emoção. No fim, o PSD manteve a câmara por uma unha negra, o PS contentou-se em dividir os vereadores com a maioria e o CDS conquistou apenas um lugar na vereação, ficando como fiel da balança (seria a última vez, até hoje, a conquistarem um lugar no executivo local).
Manuel Martins revelar-se-ia um muito razoável presidente da câmara, lançando obras de vulto, como o teatro, uma rede de museus e o parque fluvial, e moderando um pouco o caos urbanístico de que Vila Real sofria - e ainda sofre. Nas autárquicas seguintes, reeditou-se o combate entre Martins e Ascenso, mas o autarca em funções venceria sem dificuldades, arrasando o CDS e tirando votos ao PS. Depois, a história é conhecida: Ascenso tornou-se líder do PS vilarrealense, passou pelo parlamento e chegou ao Governo de José Sócrates tendo António Costa como ministro, até à saída deste para a CM de Lisboa (ficaram célebres as pancadas amigáveis que o transmontano desferiu sobre Costa, com a emoção, na tomada de posse). Tornou-se uma figura respeitada e ouvida nos órgãos nacionais do partido, de tal forma que o escolheram para coordenador geral da campanha eleitoral que se avizinha. Manuel Martins permaneceu na câmara de Vila Real durante vinte anos, até 2013, em que não se recandidatou por atingir o limite de mandatos. O PS aproveitou e conseguiu por fim conquistar um município que havia quase quarenta anos estava nas mãos do PSD, pelas mãos de Rui Santos.


Lembrei-me dos dois antigos adversários por causa da semana nefasta que os apanhou. Ascenso Simões teve de se demitir do cargo de coordenador da campanha depois dos imensos casos que surgiram, com destaque nas pessoas que apareceram nos outdoors sem terem dado autorização. A sua carreira, que indicava até que seria "ministeriável", sofreu agora um rombo enorme. Mas pode não ser o seu fim. Pior só mesmo Manuel Martins, que morreu subitamente a meio da semana, com apenas 73 anos, quando se encontrava de férias. Ninguém poderia adivinhar que tantos anos depois os dois antigos adversários de Vila Real seriam notícia na mesma semana por tão más razões.

sexta-feira, setembro 26, 2014

Os andores da Senhora da Pena


Falando de novo em romarias e festividades religiosas em Portugal, sublinhe-se outra, em Trás-os-Montes: a da Senhora da Pena, no santuário com o mesmo nome, perto de Mouçós, Vila Real. Todos os anos, em Setembro, as várias aldeias da freguesia (são muitas, como no-lo recorda a sempre prestável Wikipedia) organizam a festa e a romaria. Assim, na envolvente do santuário de Nossa Senhora da Pena, podemos encontrar a habitual parafernália destas festividades populares: restaurantes móveis, barracas de comes e bebes, o palco para as bandas de "música popular" disponíveis, sorteios de prémios, etc. O que carateriza e diferencia esta festividade são os seus andores, que vão desde um metro e meio até aos vinte e tal metros. Umas construções móveis enormes e imponentes, só rivalizados pelos da Senhora da Aparecida. Num lento cortejo, entre fileiras de mirones, os andores avançam devagar, até ao último, o maior de todos, com cerca de cem homens a suportá-lo, e mais uns quantos a equilibrá-lo. O equilíbrio é fundamental, não vá o andor cair em cima de centenas de pessoas. No meio, quase insignificante, a figura da Senhora da Pena.






Os andores dão a volta ao recinto, seguidos de bandas a tocar e de clérigos que, debaixo de um pálio, aspergem de água benta o caminho e as pessoas. Ao chegarem à capela da Senhora da Pena, a última prova de esforço: os carregadores desatam a saltar com o andor em cima, provando que a fé move mesmo montanhas. Enfim, as estruturas são encostadas ao santuário, para serem devidamente admiradas antes de as desmontarem, e a festa prossegue em todo o seu formato profano.

A festa é de tal forma conhecida que até António Costa, em campanha partidária pelo distrito de Vila Real, reservou uma hora para lá ir. Todavia, ao contrário do que alguns poderiam imaginar, não o levaram em nenhum andor.


sábado, junho 21, 2014

Sugestões



Se ninguém tiver grandes planos para este fim de sema a de início de Verão e estiver pelo Douro ou Trás-os-Montes, sempre pode dar um giro por Vila Real e reviver as míticas corridas que regressam por estes dias ao circuito da cidade (de que já falei, há anos) , agora infelizmente muito modificado. Mas conservam alguma emoção e nostalgia, e depois sempre se tem a vista do Palácio de Mateus e do Marão. Eu vou estar por lá, mas noutros eventos, tão ou mais importantes. Divirtam-se e bom fim de semana.

sábado, abril 24, 2010

Memórias do futebol trasmontano

A propósito do inédito apuramento do Desportivo de Chaves para a final da Taça de Portugal, Francisco José Viegas recorda tempos idos do clube, quando ainda não jogava na 1ª divisão e os seus adversários eram invariavelmente clubes da mesma região. Também me lembro de ouvir falar de desafios entre o Vila Real e o Desportivo, no velhinho campo do Calvário, um recinto pelado no centro da cidade ainda hoje usado para os escalões de base. Se os jogos não corriam de feição ao "Bila", qualquer condutor que apanhasse a N2, a estrada para Chaves, nem que fosse para ir para a freguesia a seguir, era invariavelmente insultado pelos passantes.


Do Chaves não me recordo dos tempos anteriores à primeira divisão. Lembro-me de alguns históricos, como Paulo Alexandre, Manuel Correia, António Jesus, Karoglan, da trupe de espanhóis, como Toniño e Baston, e dos mais recentesRicardo Chaves João Alves, esse ex-next big thing do futebol português. E das claques "Força Azul-Grenat" e "Frente Flaviense", cujo nome ainda se pode ver graffitado nos viadutos do IP-4. Já não sou do tempo dos épicos confrontos entre equipas nortenhas, e fico mesmo surpreendido ao saber que o Régua usava camisolas em losangos (um padrão que podia fazer moda, ou então influência british dos produtores ingleses de vinho do Porto), mas acho que o fim dos campos de terra, esmagados pelos relvados, é motivo para um requiem.


Hoje, o Chaves está na Honra e em real perigo de voltar à segunda B. O Vila Real vegeta nos distritais, o Régua também, e o Riopele nem equipa tem, actualmente, ainda que a fábrica se mantenha. Raúl Águas, por sinal um bom técnico, já não treina. O que é certo é que nenhuma equipa trasmontana chegou onde o Chaves chegou. E que apesar de todas as antigas rivalidades, todas as pessoas da região, de todos os clubes, se devem regozijar por esta final (e quem sabe, com algo mais). Mesmo em Vila Real.


Imagem de um Chaves-Vila Real, dos anos sessenta. Tirado daqui, onde se pode ver uma descrição mais completa, e um testemunho da rivalidade referida em cima.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Andie McDowell em Vila Real?



Abre hoje a primeira edição do Douro Film Harvest, espalhado em localidades como Vila Real, Lamego, Régua e Torre de Moncorvo. Para já, a pergunta que se impõe é: Andie McDowell irá mesmo à sessão em sua homenagem no Teatro de Vila Real? Só acredito vendo (embora infelizmente eu não possa lá ir). Caso não altere a sua agenda, será um sucesso imenso para o jovem acontecimento. Porque nós merecemos, como diria a própria num dos seus estafados anúncios a cremes hidratantes.

Já agora, Milos Forman também prometeu aparecer em Lamego, noutra sessão. E Kyle Eastwood, filho do grande Clint, irá tocar no Pinhão com a sua banda de jazz.

E depois do Douro Film, chega-nos o Douro Jazz. Não há dúvida, a região está finalmente a desenvolver o seu incrível potencial. Que assim continue. Mais vale tarde do que nunca.
Adenda: Sim, Andie McDowell veio mesmo à cerimónia de Vila Real, com ligeiro atraso e palavras de circunstância ("tenho muito a descobrir em Portugal"). Devo-lhe as minhas desculpas porque duvidei da sua vinda. Endereçá-las-ei pessoalmente na sua próxima estadia no nosso país.

terça-feira, junho 30, 2009

A Feira dos Pucarinhos de S. Pedro

Neste dia e na noite que passou, como já disse no post anterior, é S. Pedro o festejado, a encerrar o triunvirato de Santos Populares de Junho. Em Portugal, o portador das chaves dos Céus é celebrado em variadíssimos sítios, desde as largadas de touros do Montijo e respectivas procissões fluviais pelos esteiros do Tejo ao fogo de artifício dos pescadores da Afurada, passando pelas rusgas dos bairros da Póvoa de Varzim.

O S. Pedro que conheço é o de Vila Real. Oficialmente, o feriado é no Santo António, mas o mais festejado é mesmo o Pescador. Na noite de 28 para 29 de Junho o Largo da Capela Nova, dominado pela construção barroca de Nasoni, enche-se do artesanato da região: é a Feira dos Pucarinhos, em que os artesãos locais expõem as suas obras. Pelo chão espalham-se inúmeras peças da louça negra de Bisalhães - roscas, cântaros, travessas, bilhas, há de tudo, como na farmácia. Actualmente existem apenas quatro artesãos, mas já foram várias dezenas. Os tempos não perdoam. Ao lado, outra importante peça do artesanato local, os linhos da Agarez, também são postos à venda pelos seus laboriosos artistas. A meio, passam os fregueses ou simples curiosos, admirando as peças de barro e de linho. Perto, jogava-se ao panelo, que consistia numa roda de pessoas, em que se vai atirando uma panela de barro preto de uma pessoa para a outra, sem deixar cair no chão, cada vez mais rápido, e mais rápido, até que se parta. Quem o deixar cair ao chão tem de comprar nova peça...e o jogo recomeça.


Tinha uma ideia vaga dessas noites em que o chão do largo se enchia de objectos maravilhosos, mesmo que por vezes toscos, ou até por causa disso. Recentemente voltei a ir à Feira dos Pucarinhos. No largo, tudo se distribuía como esperava. Já pelas ruas circundantes do centro histórico abundavam outros tipos de artesanato e até peças africanas, bugigangas, quinquilharia, etc. A Avenida Carvalho Araújo, artéria central da cidade, estava quase toda transformada em feira, e a que não estava tinha um palco animado por bandas.


São os novos hábitos, que vão modificando o carácter das festas e dando-lhes novas formas. Os artesãos de louça negra e dos linhos são poucos, mas mantêm-se no posto, com novos concorrentes por perto. As ruas já não são pouso apenas para as tradicionais formas de artesanato. Mas nem tudo é tragado pela voragem dos tempos: o jogo do panelo, que quase tinha desaparecido, voltou a ser praticado por inúmeros grupos, como se comprova pelos cacos que se espalham pelo chão das ruelas. A feira continua, e pela noite fora as rodas de jogos multiplicam-se.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Nem tudo funciona mal em Portugal

A lamúria nacional atinge todos os sectores da nossa sociedade, quer seja na política, na cultura, na famosa "mentalidade", no desporto (ver posta anterior) e nos serviços públicos na sua generalidade. Nestes últimos, costuma-se criticar amiúde a educação, a justiça, a segurança e a saúde. Se nos três primeiros até concordo com muita coisa - e por alguma razão coloquei a justiça em primeiro lugar, que me parece a mais vilipendiada - já na saúde vejo um bota-abaixismo de proporções exageradas. O nosso sistema, com base no estado social nascido em 76, mas já com antecedentes importantes no marcelismo e herdeiro das misericórdias, não é perfeito, como nenhum é. Há por vezes falhas graves do pessoal médico, insuficiência de meios de transporte e de pessoal, cortes sem fundamento nos orçamentos, problemas que atingem sobretudo o interior e as povoações mais isoladas, como se vê pela demora em criar os Serviços de Urgência Básica (SUBs) por esse país fora.


Contudo, ao lermos nos fóruns e espaços de comentários que abundam sobre todos os assuntos, encontra-se sempre a mesma coisa. "a saúde é uma vergonha", "O governo tem de ir para a rua", "isto nos países civilizados não acontece", etc. A comparação é sempre feita ao nível dos tais "países civilizados", como se ali jorrasse mel e os hospitais funcionassem de forma perfeita, o atendimento fosse perfeito e os doentes ficassem todos em quartos individuais com cama de dossel, flores na mesinha de cabeceira e ecrã plasma com leitor de DVDs.
Quem passou pelos estabelecimentos de saúde "lá de fora" desejou voltar a Portugal o mais rápido possível. Em crónicas recentes directamente escritas do hospital onde estava, Miguel Esteves Cardoso perguntava-se onde é que os hospitais ingleses eram melhores que os portugueses (recordar que o Reino Unido foi pioneiro num sistema de saúde público). As filas de espera na Grã-Bretanha e em França conseguem piores que as nossas. Nos Estados Unidos, conhecidos meus tiveram o desprazer de terem de se deslocar a um hospital público americano, de onde saíram horrorizados; recorreram a um privado, e mais horrorizados ficaram com os custos. E na Noruega, sei igualmente de quem teve experiências traumáticas em Hospitais, a nível do atendimento e de administração de medicamentos e injecções.
No último fim de semana a minha Avó teve de ser hospitalizada no Hospital Distrital de Vila Real, com problemas respiratórios. Nas primeiras horas havia alguma angústia pelo que estaria a passar, e que tivesse de passar a noite no corredor, esquecida numa qualquer maca, dada a enorme afluência de gente neste tempo gelado. Com a neve e o gelo a cortar as estradas, era praticamente impossível chegar à cidade por estrada. Mas com um simples telefonema, soube-se que estava numa enfermaria, devidamente tratada, como andava o respectivo estado de saúde e quais os sintomas. tudo isso em dois minutos. No dia seguinte conseguimos mesmo falar pelo telefone, e pela voz parecia-me satisfeita. Finalmente, quando as estradas abriram de novo, pôde-se lá ir e comprovar o tratamento cuidadoso e a boa organização que nos tinha permitido ficar informados quase de imediato, sem qualquer traço de negligência nem de impaciência.


Tudo isto num hospital distrital do interior, num fim de semana mais frio do ano, com os acessos bloqueados pela neve, e com uma afluência monstra às urgências. Não constituiu, para mim, uma revelação, antes uma confirmação daquilo a que já tinha podido assistir: que o sistema de saúde português é bom, muito melhor do que o que se diz na rua e na net, apesar das falhas e das negligências que por vezes ocorrem, e já ficou, creio, classificado em 12º a nível mundial. E quando recorrei aos hospitais, tive de esperar bastante tempo por se tratar de casos de pouca monta, enquanto que as prioridades passavam à frente. Por isso, quando vejo as tais comparações que nos rebaixam perante "os países civilizados", rio-me ou passo à frente, na impossibilidade de responder à retórica dos engraçadinhos. Fico com a certeza de que tais pessoas nada, ou muito residualmente, conhecem dessas tais "civilizações", e que se há alguma coisa em que Portugal está cá para baixo, é no amor-próprio.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Neve


Sexta e Sábado a frente polar que também arranhou Portugal deixou a sua marca. Há vinte anos que não se via nevar tanto. Ver o Minho urbano coberto de neve é coisa rara. Há dias dizia-me uma amiga de Lamego que na sua cidade era raro nevar, por causa da humidade das barragens. Ei-los servidos com neve que cortou as estradas da região e deixou automobilistas à beira de um ataque de nervos. Trás-os-Montes esteve inacessível, com o corte da A4 desde quase Valongo, e até no Porto se viram uns flocos, coisa que da última vez que passou pela cidade ainda eu andava na escola.

Não apanhei ponta de branco até Sábado, onde ao passar em Valongo ainda se viam camadas nas bermas e nas encostas, onde o sol menos batia. Também ontem, já a noite tinha caído, mas deu para perceber que o cimo da Serra de Aire e Candeeiros estava branco.

Claro que à parte ser muito bonito (e quem sempre viveu em ambientes sem neve no Inverno não pode deixar de ficar encantado), causou engulhos terríveis nas estradas e não só. Tinha uma pessoa próxima no hospital em Vila Real e de forma alguma podia lá chegar. Tios meus demoraram seis horas a atravessar o Marão. Pobres dos motoristas e dos condutores que passaram a noite na estrada. Ficou a beleza da neve, a consolar quem com ela teve problemas. Os outros limitaram-se a sentir o frio. E houve quem juntasse o útil ao agradável. Sorte a deles.

                                           
                                                  Braga

                                        Barcelos, Igreja do Bom Jesus da Cruz. E pensar que em
                                               Julho aguentei aí um calor tórrido e gotejante.

Nota: as imagens de cima são retirados do álbum de fotos do IOL Diário. Aos autores, o meu obrigado e espero que não se importem que eu coloque aqui as suas fotografias.

sexta-feira, outubro 12, 2007

O regresso do circuito


Quem conhece bem Vila Real sabe que as principais "instituições" da cidade estão na sua maioria na Avenida Carvalho Araújo, ou nas ruas adjacentes. Ao alto da Avenida está o tribunal; cá em baixo, no lado oposto, a câmara municipal, antigo solar do Séc. XVIII. À esquerda da câmara, o liceu Camilo. A meio, a Sé, e ao lado o antigo convento de S. Domingos, restaurado e aproveitado como Conservatório Regional. Em frente, a Gomes, o mais conhecido e reputado café da cidade, célebre pelos seus covilhetes. entre a câmara e a Sé, a casa onde nasceu Diogo Cão, e entre o conservatório e o tribunal, o seminário maior. Entre a Gomes e o tribunal, o antigo Palácio dos Marqueses de Vila Real, casa do Séc. XVI, agora posto de turismo. Nas ruas traseiras, compondo o miolo tradicional, várias igrejas, em especial a Capela Nova, obra de Nasoni e um dos símbolos da cidade, o antigo café Excelsior, a "Casa dos Brocas", da família de Camilo e referida no Amor de Perdição, e a Casa Lapão, que produz as conhecidas cristas de galo. Mais acima, junto ao Pioledo, a Igreja do Calvário, acima do antigo campo pelado de futebol do SC Vila Real, e abaixo deste o Jardim da Carreira, o passeio público da cidade. Nos arredores fica o grande ex-líbris da cidade e da região: o Palácio de Mateus.


Claro que os tempos mudam, aparecem outras novidades que acabam por se institucionalizar e estabelecer-se como elementos representativos de uma dada comunidade. Em Vila Real, o teatro municipal, do lado de lá do rio, impôs-se como referência cultural na região, com espectáculos lotados e grande afluência de público. Em frente, o novo shopping mudou os padrões de consumo e apresenta uma estética bem melhor do que a maioria das grandes "superfícies comerciais", com uma frente envidraçada de onde se pode ver a união entre o Marão e o Alvão.

Acontece que estes novos edifícios acompanharam também as modificações no circuito da cidade, com novas rotundas, sentidos, semáforos e regras para a circulação, que desvirtuaram o velho percurso que durante mais de cinquenta anos foi o cenário das corridas de Vila Real. O circuito começava perto das margens do Corgo, num local onde ainda são visíveis bancadas de pedra e em que lamentavelmente se perdeu a vista do rio por causa das hediondas construções em altura, seguia em direcção ao cruzamento frente ao quartel e daí para a Timpeira, onde curvava antes da primeira ponte. Seguiam-se as curvas em Abambres e a subida para Mateus, de onde se inflectia de novo para a cidade, passando junto à Araucária, atravessando a ponte metálica sobre o Corgo e fazendo a "curva da salsicharia", antes da meta.

 

As corridas datam já de 1931, mas o circuito só adquiriu o formato conhecido alguns anos depois. Os financiamentos provinham da câmara municipal, do ACP, da Comissão de Turismo da Serra do Marão e do próprio preço dos bilhetes. Por ali passaram Vasco Sameiro, os irmãos Oliveira, Stirling Moss, o conde de Monte Real, Nicha Cabral, etc. Humberto II, o último Rei de Itália, esteve na corrida em 1951 para apoiar os pilotos italianos em competição. O público acorria em magote, fazendo a chatíssima estrada do Marão, ou de comboio, pela linha do Corgo, que serpenteia entre o douro vinhateiro. As corridas mantiveram-se em alta até aos anos setenta, quando começou o seu declínio, que levaria à suspensão em 91.

A travessia da ponte metálica(colecção Manuel Taboada)

Só me recordo das provas dos anos oitenta, apenas com corredores nacionais. Encarrapitado nos muros de pedra da Timpeira, sob o sol de Julho, via em baixo os carros a fazerem as curvas com roncos calorosas e velocidades assustadoras. O circuito era ainda o original, ainda não havia IP-4 e a linha do Corgo seguia até Chaves.

Nestes últimos 15/20 anos, muita coisa mudou. O IP-4 construíu-se (e já está obsoleta), os comboios até à "bila" rareiam, o SC Vila Real joga no Monte da Forca, a UTAD e os estudantes entraram nos hábitos da região, a cidade alargou muito a sua dimensão, por vezes da pior forma, e o circuito tornou-se impraticável para corridas da lado da cidade.

Mas as competições regressaram no último fim-de-semana, com novo figurino e um percurso mais curto, entre a ponte da Timpeira e a rotunda que vira para a ponte metálica. Estive lá, nesses dias de fim de semana prolongado, mas pouco vi das corridas, excepto meia dúzia de bólides e outros tantos clássicos a passar. Ainda assim, gostei de ver uma quantidade de gente interessada, e de novo o entusiasmo pelo circuito, ainda que cortado a meio. E bem lembrada a homenagem a Manuel Fernandes, antiga glória das corridas, que nunca cheguei a conhecer, embora tivéssemos parentes comuns, e que morreu há dois anos com um tumor cerebral. Embora para muitos também se devesse homenagear Sidónio Cabanelas, outros dos "heróis" das corridas, assassinado há uns vinte anos por uma encomenda-bomba nos seus escritórios da actual Rodonorte.
Para o ano voltam à cidade, e parece que também o grande prémio do circuito da Boavista (o grande rival urbano do de Vila Real) irá para Vila Real. Alvíssaras! Há instituições que reaparecem, mesmo que mutiladas.
Sobre o assunto, ver também isto, isto, isto e isto também, com uma vénia aos autores.