

Por João Pedro Pimenta. Blog de expressão portuense, benfiquista, monárquica, católica e politicamente indeterminada. Pelo menos até ver... Correio para jppimenta@gmail.com


Ontem os rebeldes sírios tinham tomado Homs e estavam literamente, na "estrada de Damasco". Hoje acorda-se com a notícia da tomada da capital, quase sem resistência, e com a queda do regime e fuga do clã Assad e estado maior (tiveram mais sorte que Saddam e Kadhafi). De há uns anos para cá ficou a ideia de que o regime baathista/assadista tinha ganho a guerra e dominado os seus inimigos, pelo menos em boa parte do país. Em poucas semanas o jogo virou e o regime caiu. O que vem aí pode não ser bom; o que acabou não era de certeza absoluta.
Precisou-se de dois meses para escolher e formar o governo Barnier. Só durou três.
As cerimónias de 25 de Novembro, as primeiras que houve, foram meramente protocolares, sem grandiosas manifestações nem descidas das avenidas, mas francamente também não serviram para isso. Contudo, teve graça ver alguns a fingirem ser o que não foram há 49 anos, como o PS, que fugiu da comemoração dos factos de 1975 para os quais contribuiu mais do que qualquer outro partido, fingindo não ser nada com ele, até Pedro Delgado Alves, o tribuno da ocasião (podiam ter posto algum deputado que falasse mais devagar: Delgado Alves parece estar sempre a ler recomendações de medicamentos, tal a velocidade), desculpar-se com um "para o ano é que é importante".
No Dia mundial do Pobre, onde é que a Igreja tem de estar? Entre os pobres, precisamente. E não só neste dia.
Analisemos: um tipo que não reconheceu uma derrota eleitoral sem dar provas disso e que inspirou um assalto ao Congresso nacional do seu país, pondo em risco de vida o seu próprio vice, e com inúmeros processos à perna, acaba de ser reeleito presidente por números que não deixam grande margem para dúvidas, para além de ter ganho o Congresso e o Senado. Como já tinha superioridade no Supremo Tribunal, podemos dizer que um homem com tendências cesaristas e autoritárias tem na mão o poder executivo, legislativo e judicial dos EUA, pulverizando o sistema de contrapesos políticos que equilibra os EUA, ou seja, vai poder fazer o que quiser, inclusindo auto-indultar-se.
Enquanto esperamos pela eleição nos States, houve outra mais discreta, no fim de semana, precisamente no país que originou os Estados Unidos: Kemi Badenoch é a nova líder do Partido Conservador. Qual o interesse? Segundo as teorias da interseccionalidade publicitadas pela nova esquerda, todos os oprimidos, na base dos quais estão as mulheres negras, devem unir-se e combater todos os opressores, no topo do qual estão os homens brancos, ocidentais, heterossexuais, etc. O problema? É que nem todos os oprimidos vão nessa. Alguns, imagine-se, são opressores por outras vias e Kemi Badenoch é mulher, negra, e abomina essa teoria assim como toda a cultura Woke. É mesmo considerada da ala direita dos conservadores.
Ainda sobre a recepção violenta às autoridades espanholas em Valência, parece claro que se deveu sobretudo aos membros do governo regional e a Pedro Sánchez. Seria ridículo assacar culpas aos soberanos que não têm a tutela da protecção civil e que estavam lá a prestar solidariedade.
A quantidade de posts e homenagens a Marco Paulo dá bem conta a importância musical que teve nas últimas décadas. Por muito que dissessem que era rústico, piroso, etc, teve um sucesso musical brutal como poucos neste país e de certa forma era um ícone social dos últimos 50 anos (talvez agora nem tanto, mas a extensa trunfa era só por si icónica). E era uma personagem, com aqueles caracóis, o menear do microfone e algumas atitudes um pouco irritantes de "Diva", que também demonstrou em algumas exibições mais recentes. Em tempos disseram dele que "era a maior fraude do país". Se era, geriu-o com inteligência e calculismo.
A Fnac de Sta Catarina fechou hoje, para dar lugar a uma Primark, no edifício Palladium. Era um fim anunciado há meses, mas não deixa de provocar um sentimento de vazio. Era uma espécie de "homónima" portuense da Fnac do Chiado, uma loja-âncora em plena baixa. Nos últimos dias, quando por lá passei, já dava sinais de fim de época e de mudanças, sem boa parte dos produtos e com alas fechadas.
Uma hora e pouco de viagem e deu para ver numerosos incêndios, sobretudo no Marão, onde helicópteros atacavam as chamas que ocupavam toda uma ravina. Noutros pontos era mais complicado, mesmo para meios aéreos. O ar estava completamente esfumaçado, formando um nevoeiro denso e sufocante.
Definitivamente já não há sexos, só há gêneros. Aí está no vocabulário, a prová-lo. A palavra gênero extravasou e ocupou quase totalmente o lugar que dantes era dos sexos. Exemplos: alguém escreveu num jornal que a filha de um chefe de estado africano se tinha declarado bissexual, o que significava que "apreciava pessoas de vários gêneros".
Há anos que tinha este livro na prateleira, pronto para ser lido. Resolvi-me finalmente a lê-lo neste Verão. Uma escolha feliz do subconsciente para a época, porque de repente uma notícia recordou-me que passam hoje exactamente 80 anos que a coluna blindada do general Leclerc entrou na cidade iniciando a Libertação de Paris, na madrugada de 25 de Agosto de 1944. Pena não ter sido um dia mais cedo, porque poderia sempre dizer que o meu dia de anos coincide com o de Paris libertada.
E já que as redes sociais se inclinam perante a morte de Alain Delon (justamente), eis um "questionário de Proust" feito ao mesmo por Bernard Pivot, também desaparecido este ano, e que fica assim como homenagem aos dois
Não me consigo decidir se a morte de José Manuel Constantino, presidente do COP em dia de encerramento de Jogos Olímpicos, para mais aqueles em que Portugal obteve os melhores resultados de sempre, algo inesperados, é de uma ironia cruel ou de justiça poética. Porque se por um lado soa a injustiça, por outro um dirigente olímpico não devia pedir melhor dia para morrer, caso escolhesse, do que o cair do pano de uns jogos olímpicos com troféus assinaláveis, para os quais certamente contribuiu. Espero que pelo menos tenha conseguido ver a magnífica vitória de Leitão/Oliveira em Madison, de que eu próprio só apanheio o final.
Há semanas acabou o Euro 2024 no Olímpico de Berlim. Hoje começam os Jogos Olímpicos em Paris, 100 anos depois da mesma competição na mesma cidade.
Em 30 dias, as expectativas eleitorais americanas deram mais reviravoltas que uma montanha russa (e a expressão russa não está aqui por acaso): debate na TV que expôs as fragilidades de Biden, atentado que raspara na orelha de Trump e previsão de que este já teria ganho as eleições, à frente em todas as sondagens; desistência de Biden, aclamação de Kamala e a subida nas sondagens desta última.
Eis uma das razões para não se lamentar a derrota do RN em França: é que o regime putinista apostava na sua vitória (Melanchon também não era mal visto pela Rússia, mas está mais controlado).
E pronto, a França voltou a ser a Bête Noire da selecção e a vencer sem convencer nem merecer. Mas ao menos Deschamps teve a giragem de tirar Mbappé quando era devido.
No meio de tantos encómios e "felicidades" pela escolha de António Costa para presidir ao Conselho Europeu, não vi quase ninguém falar da outra estreante em altos cargos, a estoniana Kaja Kallas. E erradamente, a meu ver. Se há uma coisa que se pode prever desde já é que ela não vai dar má imagem à política externa da UE.