sábado, maio 30, 2015

Palmira



Quando era pequeno, lembro-me de ter ficado espantado com a fotografia que vinha na enciclopédia geográfica da Readers Digest de um enorme conjunto de colunas que se erguiam no deserto sírio. Ao lado explicava-se que se tratava da antiga cidade de Palmira, que chegara a ser centro de um império e que afrontara as legiões romanas sob a liderança da sua mítica rainha Zenóbia.
Imaginar uma grande cidade da Antiguidade reduzida a um conjunto de colunas e edifícios arruinados rodeados de palmeiras e implantados numa terra cor de ocre tinha algo de misterioso e quase inatingível, e só podia fazer despertar a imaginação. E a imagem de Palmira nunca mais me saiu da cabeça. Muitos anos mais tarde leria outras informações sobre a cidade. E na sua série de documentários sobre o Mediterrâneo, Miguel Portas andaria por Palmira, demarcando a fronteira entre o deserto e o Mediterrâneo. Onde acabavam as oliveiras, acabava a influência mediterrânica. Para diante, estendia-se o deserto sírio.

Agora que o diabólico Daesh, ou "Estado Islâmico", se apoderou da cidade e da região envolvente (coisa que já temia há algum tempo), é de esperar outra destruição patrimonial bárbara como as que têm sido efectuadas na planície de Nínive, ao destruir toda a herança dos povos assírios, medos e babilónios que encontram, em museus ou fora deles. Surpreendentemente, os comunicados do Daesh negam, afirmando que apenas as peças figurativas serão destruídas, deixando intocado o essencial de Palmira. Mas aquilo que poderia ser uma nesga de civilização da organização que agora controla metade do território sírio é absolutamente desmentida pelas notícias da "execução" de centenas de pessoas na região, incluindo crianças, até no recinto do teatro romano. É de esperar de quem mata assim civis desta forma que poupasse as pedras? O "estado Islâmico" só se confirma como a organização mais tenebrosa das últimas décadas, mais nefasta ainda do que os nazis ou os khmers vermelhos.

Palmira era daqueles sítios mágicos que queria conhecer desde que vi as suas fotografias. Talvez ainda seja possível, quando um dia a região estiver pacificada. Mas desconfio que com o que lá se passou agora, por estes dias, vai-me faltar a vontade ou a coragem.

quinta-feira, maio 28, 2015

Outra obra espampanante para Belém



Visto.
É um espaço amplo, luminoso, com uns passadiços para se ver melhor o conjunto e uma bela vista para o Tejo e arredores. Mas para quem conhecia o antigo Museu dos Coches, fica-se com a sensação de se estar num espaço provisório, uma espécie de armazém mais cuidado, antes da colecção regressar ao seu habitat natural, ali ao lado. Isso para não falar na falta gritante de informação explicativa. À excepção do primeiro da exposição, uma carruagem do Séc. XVII, não há qualquer informação individual (nem sequer do landau onde D. Carlos e D. Luís Filipe estavam na sua fatídica última viagem, muito procurado pelo público), apenas de grupo ou de época. Em suma, os 40 milhões gastos na obra podiam ser usados em muitos outros museus com a corda na garganta. Como tantas outras vezes, preferiu-se construir de raiz em lugar de se olhar para o que já existia. Uma velha, má e dispendiosa tradição portuguesa que tarda em extinguir-se. Não é propriamente um elefante branco, mas era evitável.

Os coches a talha dourada da célebre embaixada de D. João V a Roma, que lhes valeram o título de "Fidelíssimo" e a dignidade de Patriarca ao Arcebispo de lisboa.


A meio, descoberto, o landau do Regicídio.


segunda-feira, maio 25, 2015

O lado negro do 34


Os lados negros da vitória do Benfica no outro domingo foram obviamente os casos de violência em Guimarães e em Lisboa. Vimos no primeiro caso aquele abjecto arraial de pancadaria no adepto do Benfica e na família por parte de um brutamontes cuja autoridade parece advir-lhe unicamente do cassetete, e a destruição e a pilhagem de equipamento desportivo no estádio do Vitória por claques e adeptos do Benfica, o que em nada engrandece o clube, mesmo que se tenha logo disposto a ressarcir os vimaranenses pelos prejuízos. E em Lisboa, aquelas cenas que estragaram a festa no Marquês, em que ao voo de garrafas se seguiram cargas policiais, detenções, e como consequência, o apressado fim de festa. Note-se que a garrafada começou ainda durante o hino do Benfica, o que mostra a falta de respeito para com o clube e os seus símbolos. Depois, a inevitável reacção da polícia à gangada que insistiu em transformar uma festa numa zaragata. Meço bem o que escrevo: gangada. Porque a malta que desatou a atirar pedras e garrafas mais não era do que um bando de gangues que não teve qualquer hesitação em estragar a noite às dezenas de milhares de pessoas que ali estavam a festejar com a equipe (incluindo o autor deste blogue, que estava lá e que por isso mesmo pode falar do que viu), desrespeitando o clube, a autoridade e todos quantos tiveram de se ir embora apressadamente.



O problema, evidentemente, está longe de ser dos benfiquistas. Aliás, felizmente desta vez não houve os habituais "guardiões" dos Aliados, protagonistas dos tristes acontecimentos de outras vitórias do Benfica, mas os meus correligionários conterrâneos estavam bem ocupados em Pedras Rubras a receber a equipa ou a encher a rotunda da Boavista. Já vimos portistas a invadir o relvado do estádio do vitória (precisamente) e a pilhar estabelecimentos em volta, sportinguistas a pegar fogo às bancadas da Luz, e outros desacatos de arsenalistas, vitorianos, boavisteiros, leixonenses, etc. Mas para além do clubismo, também não se pode resumir a problemas geracionais, com as habituais arengas sobre as "novas gerações sem valores", até porque alguns dos intervenientes no saque do material desportivo não eram propriamente miúdos. E menos ainda se pode atribuir apenas à "crise", como se a volúpia e o roubo circunstancial não viessem já de longe. É pensar nos motins de Londres de 2011 para nos lembrarmos de autênticas pilhagens em ambientes eufóricos. Lembro-me de ouvir relatos de naufrágios na costa portuguesa e das populações se precipitarem para levar os despojos das vítimas. Ou seja, tudo isso (clubite, fraca educação, crise) possa contribuir para estes casos, mas provavelmente talvez o problema da falta de valores seja afinal intemporal e interterritorial. Só o exemplo, a autoridade e a experiência podem combatê-los.

E entretanto, tivemos a verdadeira festa de consagração no estádio da Luz, com um público vibrante e alegre, um jogo intenso com vários golos e a homenagem aos bicampeões. Pena mesmo a lesão de Salvio, pior do que se esperava, a não entrada de Paulo Lopes e o roubo do golo de Jonas Pistolas", que lhe daria o título de melhor marcador. É a segunda jornada seguida em que anulam um golo ao Benfica, mas teremos sempre os idiotas inúteis a quererem a tudo o custo afirmar que o Benfica teve o beneplácito dos árbitros. Afirmar, não provar, bem entendido. Bom sinal: o desespero está a chegar.

terça-feira, maio 19, 2015

Trinta e quatro


E pronto. Depois de muita indefinição e nervosismo, chegou mesmo o tão aguardado bicampeonato e o ansiado 34. Com as vendas maciças do Verão e uma pré-época penosa, somados ao imenso reforço e investimentos do Porto, ninguém acreditaria que se pudesse revalidar o título. Mas conseguiu-se. Algumas contratações no fecho do defeso (Jonas e Júlio César, internacionais brasileiros e opções de curto prazo fundamentais, e Cristante, aposta para o futuro) e, há que admiti-lo, a saída precoce das competições europeias e da Taça ajudaram ao desfecho no campeonato. Mas acima de tudo, os erros dos adversários, sobretudo do patético basco que Pinto da Costa se lembrou de colocar à frente da equipa, com cujo nome todos gozam, e a experiência (que lhe permite corrigir alguns erros antigos) de Jorge Jesus, foram os grandes ingredientes que trouxeram o campeonato para a Luz. A vitória no Dragão, com um bis de Lima, e o empate ao cair do pano em Alvalade são talvez os momentos chave da época (o soporífero Benfica-Porto também ajudou). Assim, um Benfica sem grande rasgo mas com realismo e sentido prático acabou por superar todos os outros. Em Guimarães, viu-se um jogo pobre, em que os nervos visivelmente traíram os jogadores, mas a haver um vencedor, deveria ser o Benfica. Mas nem se precisou disso, graças à incompetência portista, em especial da sua defesa e do seu técnico, de tal forma que até se ajoelhou, devolvendo a piada que os portistas tanto faziam sobre Jesus naquele famigerado jogo do Kelvin (fico a pensar se aquele jogo não será uma espécie de canto do cisne da hegemonia portista).

O título está entregue e bem entregue. Apesar disso, continuamos a ouvir o mau perder do insuportável Lotopegui, um tipo que não trouxe nada ao futebol português  e desperdiçou tudo o que lhe deram, nas teses do "colinho" de uns tweets quaisquer que o FCPorto entretanto inventou (já agora, colinho é uma palavra extremamente irritante: ao menos nós usamos "fruta" ou "roubalheira", sempre é mais directo), porque o Benfica teve não sei quantos adversários expulsos (repare-se que o que conta para eles não é a justeza das expulsões, mas a estatística), embora não contem os penaltys que ficaram por marcar a nosso favor. enfim, teses dos senhores que refutam os casos Calheiros e as escutas ou para quem as estatísticas dos penaltys de Jardel (ou goleador, não o central) já não contam. Isso, claro apoiados por uma quantidade infinda de comentadores para quem a expulsão de um jogador do Arouca que derrubava Lima quando este se isolava era "mais do mesmo" e que na semana seguinte, no caso inverso, aplaudiam a decisão de expulsar Luisão. Ou da figura patética e retórica de Rui Santos, que mostrava uma "rigorosa" liga verdadeira, tentando revelar que o Benfica andava a ser beneficiado porque não sofria penaltys, omitindo incrivelmente os que não marcavam a favor das águias (e foram muitos). Tristes figuras de quem a história certamente não rezará.

O que fica é mais um campeonato, o 34º, e as imagens da festa, com alguns desacatos pelo meio. Sobre isso falarei depois. Ficam as imagens que realmente contam.


sexta-feira, maio 15, 2015

O Dnipro de Dnipropetrovsk





Não posso deixar de achar graça ao ver o inesperado Dnipro Dnipropetrovsk na final da UEFA (ou Liga Europa). um clube sem grandes estrelas, do centro de um país em guerra ou perto disso, a conseguir um feito destes, perante o bem mais apetrechado Nápoles, é digno de nota.


Da cidade de onde provém o clube, apenas sei que fica nas margens do Dniepre, mesmo no centro da Ucrânia, e que durante a URSS era uma cidade praticamente fechada, já quer um centro industrial de armamento e de invesigação nuclear e espacial, pelo que se impunha afastar qualquer ameaça de espionagem. E diz-nos a Wikipedia que lá nasceram Brejnev e Yulia Timoshenko. O dito clube local, o Dipro, actualmete o terceiro clube ucraniano, com o seu novo e espaçoso estádio, chegou a ser campeão soviético no fim dos anos oitenta. Na Taça dos Campeões, seria eliminado, com uma derrota caseira por três secos, pelo Benfica de Eriksson, que chegaria à final de Viena. É daí que vem o meu conhecimento do clube, que tem alguns bons jogadores, entre os quais o português bracarense Bruno Gama. Podem ver esse jogo de 1990 na íntegra, aqui, cortesia do Red Pass.

Agora só lhes peço uma coisa: continuem o milagre e vençam esse insuportável Sevilha na final de Varsóvia. Até é um país vizinho e tudo.

O Reino Unido (?) depois das surpreendentes eleições


Como quase todos, fiquei surpreendido com os resultados das eleições britânicas. É fácil tirar conclusões agora, mas todos apontavam para a enorme dificuldade que seria formar governo. Afinal, David Cameron permanece em Downing Street sem precisar de coligações com ninguém.

Bem vistas as coisas, as sondagens nem se enganaram por aí além nos números. Mas o sistema uninominal britânico permite coisas destas, e a distribuição de lugares saiu completamente furada, salvo talvez para o SNP e para os liberais-democratas. Por isso, algumas alusões à "falta de isenção" dos media lusos, como a de Helena Matos ao Público, é injusta e descabida. À hora de tiragem dos jornais, eram impossível saber os resultados, até porque as urnas fecharam às dez da noite. Só mesmo na manhã seguinte é que se começaram a tornar claros, e mesmo assim, só à tarde é que os conservadores confirmaram a sua maioria.

Mas a verdade é que as esperanças dos trabalhistas saíram absolutamente furadas, como já sucedera, e alguns recordaram, em 1992, quando Neil Kinnock, dado como favorito à vitória depois de 13 anos de thatcherismo, acabaria por ser derrotado por John Major. O New Labour que se lhe seguiria teria bem mais êxito. Desta vez, Cameron nem sequer precisa da muleta dos liberais -democratas, que tiveram um desaire tremendo, em votos e em lugares nos Comuns. De resto, as expectativas goradas destas eleições fizeram cair rês líderes partidários: Ed Miliband, dos trabalhistas, que tinha apostado numa viragem à esquerda (e recorde-se ascendido à liderança vencendo surpreendentemente o seu irmão David, havendo quem se pergunte agora se não escolheram o irmão errado); Nick Clegg, dos liberais-democratas, segunda figura do governo de coligação, mas cujas questões com Cameron e o síndrome de "partido menor" levaram a um péssimo resultado; e o muito mediatizado Nigel Farage, que alcançou apenas um lugar, ainda que tenha ficado em terceiro nas votações. Do outro lado, os Verdes ganharam algum alento e o SNP escocês, talvez catapultado pelo referendo de Setembro último, teve uma vitória imensa, varrendo os trabalhistas e os liberais da Escócia (os conservadores há muito que lá não são representativos). Aliás, este aparente paradoxo do sistema uninominal tem sido muito discutido: como pode um partido de 12%, como o UKIP, conquistar apenas um lugar, e o SNP, com 4,5%, arrebanhar mais de 50? A força local e em certos círculos ajuda a perceber, mas continuo a preferir o modelo proporcional e a pensar que o melhor sistema é mesmo o misto.




De resto, aqui temos David Cameron com maioria absoluta nos Comuns, dominando a Inglaterra, ao passo que os independentistas do SNP dominam a Escócia. Questões prementes dos próximos anos serão o referendo à permanência na UE (onde apesar de tudo parece-me os britânicos quererão continuar, pese a sua habitual desconfiança dos "continentais"), a economia e a diminuição de impostos, saber o que conseguirá Cameron fazer sem coligações, qual o futuro do Labour e que caminho irá tomar, assim como os liberais-democratas, e se o UKIP continua a ser o partido da moda ou se sem Farage, vai cair. E claro, se o independentismo escocês esvaziará, ou se, como parece, será uma ameaça permanente sobre o Reino Unido. 
Wait and see.

sábado, maio 09, 2015

O povo que canta: a televisão portuguesa a gostar dela própria


A RTP-2 está um portento de canal, e isso já vem de antes da mudança de direcção da estação. Séries de qualidade, documentários, programas de história, como o de Fernando Rosas (que puxa um pouco a brasa à sua sardinha, mas em compensação tem imagens fabulosas colhidas por drones), espaços de debate e informação como o já clássico Sociedade Civil, programas de desporto, religião, literatura, natureza, etc. Em suma, um autêntico serviço público televisivo que eu só espero que não alterem.


Um dos programas mais sugestivos e originais do canal, e talvez o melhor que anda por aí, é O Povo que Ainda Canta, uma espécie de braço televisivo do projecto de recolha de música tradicional A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria (o site está parado, mas tem imensas coisas dignas de ser vistas e ouvidas, e há sobretudo a página do Facebook). Sob a direcção do seu mentor, Tiago Pereira, e de um conjunto de incansáveis colaboradores, o programa corre o país de lés a lés, quais Giacomettis do século XXI (que tinha uma emissão chamado Povo que Canta, vendo-se aqui uma homenagem explícita no actual programa, e em que por acaso até são entrevistadas pessoas que tiveram contacto e que deram elementos preciosos ao célebre etnógrafo corso), gravando, filmando e entrevistando tudo quanto seja música tradicional portuguesa.


Desde o fado da Mouraria até às tradições musicais do Nordeste transmontano, das chamarritas do Faial e Pico ás concertinas e castanholas do Alto Minho (com grande destaque à romaria de são João d ´Arga e conversas com o sr. Joaquim Barreiros, de Âncora, pai do famosíssimo Quim Barreiros, e que não sabia se seria ainda vivo), passando pelos gaiteiros da região de Coimbra, os adufes da Beira Baixa, os grupos musicais da Beira interior, o fandango ribatejano, o cante alentejano, e o que ainda mais virá, é todo um país que se descobre nas suas riquíssimas e variadas facetas musicais, algumas quase desconhecidas e que poderiam estar condenadas à extinção não fosse este enorme trabalho de recolha e divulgação. Um povo que ainda canta e que se redescobre. Para ver na RTP-2, nas noites de Quinta-Feira, com repetição ao Domingo. E se perderem algum episódio, podem-no descobrir e ver aqui. Acima de tudo vejam e ouçam. É a expressão mais genuína e mais viva de Portugal que está contida nestes pequenos episódios de menos de meia hora.


quinta-feira, maio 07, 2015

A semana mais emocionante de que há memória no UK



A semana no Reino Unido não podia ser mais excitante: primeiro, o nascimento da princesa e a enorme expectativa à volta do nome (ficou Charlotte Elizabeth Diana, honrando as ancestrais); pelo meio, o Chelsea de José Mourinho a sagrar-se campeão inglês; e agora, as eleições mais confusas de que há memória, em busca da maioria impossível, com a perspectiva de poder haver outras daqui a muito pouco tempo (ou como dizia um votante, we are voting tf rthe next five years...or the next five days). Ainda vai ganhar o Raving Looney Party. God save the Kingdom.

Perderam a cabeça ou querem perder de propósito?



Dá ideia que um vento de loucura percorreu a cúpula do PSD. Quando vi o vídeo com os elogios de Pedro Passos Coelho a Dias Loureiro, em Aguiar da Beira, pareceu-me um acesso de estupidez dificilmente ultrapassável. Quem é que dispararia um tiro de canhão no pé daqueles? Paulo Portas devia estar a trepar pelas paredes.
Com a publicação da biografia política de Passos, a desenterrar o caso "irrevogável" e a fazer o possível por deixar Portas mal na fotografia, uma escassa semana depois da oficialização da coligação PSD-CDS, a suspeita passa a ser a de loucura total. Ou é uma brincadeira de muito mau gosto no pior timing possível, ou é propositado, e nesse caso há que saber as razões. Não falamos de um movimento com aspirações à representação parlamentar: é a coligação dos dois partidos que estão no poder a ser posta em causa pelo actual primeiro-ministro.


Como diz um dirigente do CDS, "só se for para garantir que a coligação está coesa e motivada". Ou, como se sussurra, parece que querem perder as eleições. Pelo menos parecem fazer tudo para isso, sem grandes camuflagens. Se fosse de propósito, não fariam melhor Como é que se pode confiar num chefe de governo assim?

sexta-feira, maio 01, 2015

Jota de João


Fiquei há pouco a saber que morreu o meu homónimo mais conhecido, o célebre J. Pimenta, o "pato-bravo" mais representativo, que expandiu consideravelmente os arredores de Lisboa para o suburbanismo que se verifica hoje em dia. Mas num tempo em que tudo se sabe sobre a vida dos outros, não deixa de ser reconfortante ler que "boa parte dos portugueses ignora a vida de João Pimenta". Paz à sua alma.


terça-feira, abril 28, 2015

O que ficou do clássico



Afinal, o "jogo decisivo", o "jogo do título", o confronto "que ia tirar todas as dúvidas" saldou-se por uma maçadoria sem tentos, com duas oportunidades de golo, meia dúzia de remates e de boas jogadas, muitos amarelos e duas equipas receosas e muito aferrolhadas. O Porto precisava de vencer para ainda alimentar esperanças no campeonato e para ultrapassar o massacre de Munique, e o Benfica para quase garantir o título. Nem uma nem outra conseguiram demonstrar nada. Claro que o empate serve mais o Benfica, mas duvido que o título esteja à mão de semear, como alguns parecem crer. Em 2013 também estava e viu-se. Faltam quatro jogos, entre os quais duas deslocações, uma a um aflito e sempre complicado Gil Vicente (com o qual o Benfica não faz grandes exibições), e outra no dificílimo estádio do Vitória de Guimarães. O Porto vai a Setúbal, onde muito raramente deixa pontos.

E já que no relvado pouco se viu, o interesse do clássico passou para as bancadas, com uma fabulosa coreografia dos benfiquistas, que o L´ Équipe realçou.

Les supporters de Benfica ont fait les choses en grand. (D.R)

E não se esqueça, evidentemente, a fotografia desportiva que o Guardian destacou nesse dia.




Ao menos salva-se o reconhecimento de prestigiados órgãos da imprensa francesa e inglesa, ao destacarem a beleza cénica do estádio e dos adeptos. 


segunda-feira, abril 27, 2015

As razões da nova AD




Entretanto, à direita, a ilusão dos nossos dias é a de permanecer no poder, coisa que parece pouco provável. Uma vez que hoje em dia as sondagens são permitidas e constantes (embora isso não agrade a Paulo Portas), não se afigura muito fácil. Por isso, o anúncio da coligação eleitoral para as legislativas aparece como fuga para a frente em resposta ao programa do PS. Pode-se perceber como mensagem cá para fora de que os partidos do governo estão unidos, e para aproveitar as sobras que o método de hondt concede. Mas tem os seus riscos, nomeadamente para o CDS, que nas listas conjuntas deverá perder deputados e que assim perde qualquer hipótese de ser uma hipotética muleta de um governo minoritário do PS. E sobretudo recorda-nos que nas duas vezes em que estes dois partidos fizeram uma coligação pré-eleitoral com a democracia já madura (ou seja, excluindo a AD original), nas Europeias de 2004 e 2014, os resultados foram muito pobres. Pode-se considerar o tudo ou nada dos partidos do actual governo. Se ganharem, vêem legitimado o rumo que traçaram e ganham solidez. Se perderem, terão de aguentar uma coligação parlamentar na oposição e fazer a respectiva travessia no deserto. 

Já as reacções à notícia da coligação forma díspares e em certos casos infelizes: António Costa considerou que não trazia novidade nenhuma e que se trata de um casamento por conveniência, o que em certa medida é verdade. Catarina Martins, do Bloco, diz mais ou menos o mesmo, também falando do "casamento de conveniência". Não sendo mentira, não deixa de ser irónico que tenha sido afirmado pela coordenadora de um movimento que aglutinou grupos de esquerda (trotsquistas, maoístas, ex-comunistas, etc) que uns anos antes se odiavam de morte e se acusavam mutuamente das piores coisas. Aliás, com as saídas recentes, isso ainda se tornou mais cristalino. Se o BE não é ele próprio um casamento de conveniência, então não sei que será.

A reacção menos esperada mas sem dúvida mais sectária é a de Jerónimo de Sousa, que acha que o anúncio da coligação num 25 de Abril é "um insulto" à data, porque, no seu entender, é a força "que esteve contra o 25 de Abril". Mais uma vez, o PCP acha que só a esquerda (ou o que os comunistas entendem que é a esquerda) tem legitimidade política no pós-25 de Abril, que tudo o que está à direita é necessariamente salazarista, e que por isso não tem lugar no actual regime. Ou seja, acha-se dono do 25 de Abril, numa visão que transforma a data não na instauração de um regime democrático mas sim na de um revolucionário de esquerda, quando a intenção nem era essa. Concluindo, o PCP não mudou quase nada desde 1975 e ainda não se apercebeu que a grande maioria dos eleitores não vota nele. Deve ser por isso que cada eleição é sempre uma vitória. Já agora, a CDU também não é um casamento por conveniência? Tendo em conta que os Verdes são uma criação do PCP sem qualquer autonomia, aquilo nem é de conveniência, é mesmo um casamento forjado.

domingo, abril 26, 2015

A ilusão de Vasco Gonçalves há quarenta anos (e as sondagens que o desmentiam)



Nos quarenta anos das eleições para a Assembleia Constituinte, a 25 de Abril de 1975, o Herdeiro de Aécio recorda a previsão de Vasco Gonçalves para o vencedor da contenda, que segundo o primeiro-ministro da altura, seria o MDP/CDE. Tudo porque já firmara um nome desde as eleições de 1969, como aglutinador da oposição democrática, era um símbolo anti-Estado Novo e incluía tanto comunistas como católicos progressistas. O que é certo é que o movimento de José Manuel Tengarrinha ficou em quinto lugar, com menos de 5%, e nas eleições seguintes, e até 1987, coligar-se-ia com o PCP para formar a APU, perdendo toda e qualquer autonomia.

O que é mais incrível é que, segundo nos revela a revista do Expresso da semana passada, até houve sondagens que apontavam para os vencedores (e que podem ser vistas aqui). A tendência de vitória do PS era clara, bem como o segundo lugar para o PPD e o terceiro, e larga distância, para o PCP, e ainda mais a fraca adesão ao MDP. Nestes pontos as sondagens revelaram-se muito fiáveis. Mais curioso é observar que o CDS quase não tem intenções de voto (talvez pelo receio em declarar o apoio a um partido "reacionário"), e o MFA, que nem sequer era um partido, e a Acção Nacional Portuguesa, o partido único do Estado Novo, ainda recolherem alguns apoios. Se no primeiro caso se percebe, porque a sigla se ouviria muito pelos país fora, já a segunda espanta pelo desconhecimento, embora indique um reduto de apoiantes do antigo regime. Claro que ninguém poderia votar em "formações" destas, mas o CDS acabaria por ficar num honroso quarto lugar e tornar-se-ia num dos partidos basilares do regime.

No caso do MDP/CDE, é bom lembrar que parte dos seus apoiantes de 1969 tinham-se deslocado para o PS e para o PCP, secundarizando-o. E apesar de ter dirigentes que pouco tinham a ver com os comunistas, como Helena Cidade Moura, a verdade é que o partido passava por muleta do PCP, constituído sobretudo por intelectuais um pouco mais moderados que o partido de cunhal. Talvez isto tenha dado ilusões a Vasco Gonçalves, cruelmente desfeitas nas eleições. Depois disso, como se disse, o MDP faria parte da APU, até voltar a ser um partido autónomo, mas quase irrelevante, e mais tarde, com algumas entradas e saídas pelo meio, se transformar no Política XXI que viria a ser um dos movimentos formadores do Bloco de Esquerda.

sexta-feira, abril 24, 2015

Os méritos do programa do PS


O programa - provisório, ao que parece - do PS para revitalizar a economia nacional nos próximos anos, com a reposição dos salários dos funcionários públicos, a descida do IRS e do IVA nas empresas de restauração e o aumento de alguns benefícios sociais pode ser demasiado optimista, demasiado despesista, um risco para a segurança social e levar-nos a situações em que já caímos noutras ocasiões, precisamente com o PS no poder (e Paulo Trigo Pereira, um dos autores do documento, alerta precisamente para isso). Mas tem o imenso mérito de separar as águas e de marcar de novo o debate político. Os partidos do governo tiveram uma reacção infantil, quando disseram que o plano não tinha credibilidade sem o terem lido. Podiam antes dizer que as linhas gerais eram diferentes do que aquilo que defendiam, e reservar críticas mais construtivas para mais tarde. Mas pelo menos há aqui uma diferença ideológica, entre os que pretendem revitalizar a economia por via do consumo e do aumento dos benefícios sociais e do rendimento, e os que preferem fazê-lo através da descida dos impostos e dos custos de trabalho às empresas. Não se poderá acusar os partidos do arco do poder de "proporem todos o mesmo". Pelo menos agora pode-se optar por mais do que uma visão, que dependerá de se considerar que o estado deve ser mais ou menos interventivo na economia. As divergências de opinião serão sempre de carácter ideológico, não tanto de tribalismo político ou de casos de corrupção o que só ajuda o debate político.

terça-feira, abril 21, 2015

A tragédia do Mediterrâneo




Quase em continuação do último post, de outros massacres, estes a meio do Mediterrâneo, também tem falado o Papa. Há já muito tempo, aliás. Nestes últimos dias, chegou-nos a notícia de centenas de emigrantes desaparecidos em mais uma embarcação sobrelotada, e de mais um naufrágio em Rodes, o que levou a uma reunião extraordinária do Conselho Europeu. As vítimas deste autêntico tráfico sucedem-se. A Itália faz o que pode, mas não é por ser o objectivo imediato dos migrantes que tem de fazer tudo. E o problema está a montante, onde milhares de refugiados da África Subsariana arriscam-se ao deserto e depois ao mar para fugir da fome, da miséria e da guerra. Desde que o poder na Líbia se pulverizou que estes boat people aumentaram intensamente, por vezes trazendo com eles radicais islâmicos infiltrados. Mas seria algo cínico desejar que um regime totalitário dependente de uma família "controlasse" todo aquele tráfego. Não podendo fazer com que nos países de origem haja condições para os seus habitantes não fugirem de lá, podia-se ao menos tentar novos canais de migração, estabelecer um certo controlo no Norte de África - o que implicaria uma verdadeira força de intervenção na Líbia, o desbaratamento de grupos de bandoleiros/jiadistas e acordos com os outros estados vizinhos, e obviamente mais prevenção no mar. Haja mais atenção, força de vontade e organização e talvez se consigam evitar bem mais desastres neste Mediterrâneo que já assistiu a grandes feitos da humanidade e da civilização e que agora é o palco da tragédia desta gente em fuga. Que o Papa seja mais ouvido, que já vai sendo tempo.

sexta-feira, abril 17, 2015

O Papa e o genocídio dos arménios


 O Papa teve novo "atrevimento": desta vez, ao falar das grandes tragédias humanas do Século XX, referiu os massacres dos arménios pelos turcos entre 1915 e 1917, considerando-os o primeiro genocídio do século, seguido dos resultantes do nazismo e estalinismo e, mais tarde, do Cambodja, Ruanda, Burundi e Bósnia. A Turquia, claro, reagiu logo e chamou a Ankara o embaixador no Vaticano. Outra coisa não seria de esperar num país que não só nega o genocídio como ainda criminaliza quem o afirmar, para mais sob a presidência (e governo) do autoritário e neo-otomanista Erdogan.
O genocídio - assim mesmo, com todas as palavras - do povo arménio, que teve início há cem anos, é uma evidência que só por ignorância, desonestidade intelectual ou profundo filo-turquismo se pode negar. Houve uma autêntica limpeza étnica, com centenas de milhares de mortos (fuzilados, decapitados, enforcados, atirados de abismos ou simplesmente deixados a morrer à fome em zonas inóspitas), de mulheres violadas, e em que os mais afortunados limitaram-se a ser deportados e a perder tudo para conservar a vida. As populações arménias que viviam na Anatólia desapareceram completamente (tal como aconteceria mais tarde aos gregos do Ponto e de outras zonas da actual Turquia, aos assírios, e em boa parte aos curdos).

Muitos dos países que reconhecem o genocídio fazem-no também por questões políticas, como a França, a Rússia. E os que o negam também, como os Estados Unidos, estes sobretudo por razões geo-estratégicas. O Papa não teve qualquer receio em afrontar as autoridades turcas e chamou áquele trágico acontecimento pelo nome que ele realmente tem. Claro que houve logo algumas vozezinhas críticas, que resolveram lembrar que a Igreja teve também alguns esqueletos no armário, como a sempre invocada Inquisição, sem se lembrar no entanto que não só os actos do Santo Ofício estiveram a anos-luz de qualquer genocídio real deste tipo, como a Igreja há muito que o reconheceu e se penitenciou por isso, além de que já tem uns séculos em cima. Para alguns, haver vítimas cristãs parece ser um assunto de somenos, quando não chegam a demonstrar o seu contentamento. Impressiona aliás que ainda se continue a rotular países como a Alemanha, que reconhece o Holocausto, de "nazi", ou a matraquear constantemente com a Inquisição, cujas acções mais nefastas a Igreja não nega, e se trate a Turquia (e em menor grau, a Rússia, cuja herança do estalinismo não é totalmente negada) com imensa cerimónia. Se bem que o Império Otomano, mesmo no seu fim, tenha reconhecido a sua culpa, depois atirada para o lado pelo regime republicano kemalista. Curiosa, também, esta atitude de quem tanto queria aproximar-se do ocidente e cortar amarras com o passado.

A Arménia viria a surgir como um breve estado independente, até ser anexada pela URSS, em 1920, e só voltaria a ser um estado soberano em 1991. Mas ainda hoje boa parte do território que lhes caberia, pelo Tratado de Sévres (que estipulava entre outras coisas uma nação curda, e que nunca chegou a ser respeitado), está na Turquia, como o monte Ararat, a "montanha sagrada" dos arménios, o pouso bíblico da Arca de Noé, que domina o horizonte em Yerevan, mas que ficou do outro lado da fronteira.


quarta-feira, abril 15, 2015

Dez anos com a Casa da Música



A Casa da Música tem já dez anos. Alguns admiram-se com o facto de o edifício que mudou a rotunda da Boavista ter já alcançado uma década de idade, embora devessem admirar-se ainda mais com os seus quase 15 anos: afinal de contas, as primeiras previsões apontavam para a inauguração em Dezembro de 2000, nas vésperas do Porto se tornar Capital Europeia da Cultura de 2001. Tornou-se por isso mesmo um símbolo de despesismo, atrasos no cumprimento de prazos em infra-estruturas e esbanjamento de dinheiros públicos em obras de vulto, típicos dos anos de "vacas gordas". Esses anátemas, ligados a um certo sentimento de usurpação do espaço da antiga remise dos eléctricos na rotunda e à sua forma estranha e bojuda, enchendo completamente aquele espaço, levou a sentimentos de desconfiança e de desagrado de muitos.


Mas com os anos, a Casa da Música acabou por ser aceite e ocupar o seu lugar como símbolo do Porto contemporâneo. Começando, claro, pelos seus muitos e ecléticos concertos, que tanto misturam música erudita como música electrónica, Bach e John Cale, música sacra e os populares clubbings, que acabam com o bar/restaurante transformado em pista de dança ao som de um qualquer DJ que até pode ser Adolfo Luxúria Canibal, além de outras actividades (o bar dos artistas, com grandes janelas envidraçadas para a avenida, é muito procurada), sobretudo relaccionadas com a cidade, como o S. João. O prestígio que alcançou deve-se tanto aos seus programas como à arquitectura provocante de Rem Koolhaas. 
Nem tudo correu bem, mas a Casa da Música, dez anos depois da sua abertura, tornou-se um ex-líbris portuense e a instituição musical mais prestigiada do país. Poderemos sempre lamentar a destruição da estação dos eléctricos, que levou a enormes discussões no Porto, mas podemos também estabelecer comparações com o que aconteceu com o convento de S. Bento de Avé Maria e estação de S. Bento, que ocupou o seu lugar. Apesar da perda de um edifício de grande valor, construiu-se uma estação de comboios belíssima no seu lugar. O que se ganhou terá sido superior ao que se perdeu.


Ainda assim, podemos também pensar no que nunca chegou a ser. E se a localização ideal da Casa da Música não seria no Parque da Cidade, como chegou a ser defendido por Agostinho Ricca no seu projecto para um "palácio da música" naquela mesma zona.





domingo, abril 12, 2015

O digno enterro de Ricardo III, com cinco séculos de atraso.



Antes da festa da Ressurreição, um enterro definitivo. Depois da surpreendente descoberta no subsolo de um parque de estacionamento (onde outrora existira uma igreja), em Leicester, dos restos mortais de Ricardo III, último monarca da dinastia dos Plantagenetas, vilipendiado por Shakespeare na peça que leva o seu nome (e que daria máximas tão conhecidas como "Este é o Inverno do nosso descontentamento", que teria o seu aproveitamento político nos anos 1970, e "Um cavalo, um cavalo, o meu reino por um cavalo") como usurpador e autor moral do assassínio do seu sobrinho Henrique V, e por isso pouco popular na história de Inglaterra, comprovada por investigações científicas do seu ADN, teve lugar a cerimónia de colocação das suas ossadas no repouso definitivo  - a catedral de Leicester - e mais digno do que a anterior moradia. Certamente que terão mais sossego com uma certa recuperação da sua imagem e sem carros a passar por cima.
Cereja em cima do bolo, entre os dignatários, como o Arcebispo de Cantuária, encontrava-se o ubíquo Benedict Cumberbatch, longínquo parente do rei morto e que até já o representou na peça de Shakespeare. Na Catedral, e entre a solenidade respeitada por toda a audiência, o actor leu um poema que reconciliou a memória do Ricardo III anos com a Inglaterra. O rei morto há mais de 500 anos tão tristemente celebrizado por Shakespeare pôde assim repousar em paz depois de cinco séculos atormentados pela fraca tumba e por uma reputação destruída.

quarta-feira, abril 08, 2015

A Páscoa nas margens do Homem




Continuando com o assunto do post anterior, lembremo-nos que a Páscoa ainda agora começou. Ao folhear o suplemento dominical do Público, deparo-me com as fotografias de Alfredo Cunha cobrindo várias manifestações pascais no Minho, em especial a procissão de barcas pelo rio Homem abaixo (além de outras, como as procissões da Sexta-Feira Santa em Braga), na segunda-feira de Páscoa, lembrando um tempo em que as pontes eram longínquas. Tenho algumas raízes exactamente nessa região (e cheguei a ir lá num Domingo de Páscoa, mas por motivos funéreos) e nunca tinha ouvido falar de semelhante manifestação fluvial. Mas apenas vem demonstrar quão variadas e ricas podem ser as celebrações pascais. Lembro-me, quando tinha os meus dez anos, de ir passar a pascoela à casa dos meus tios-avós, aí perto, a poucos metros do Homem, na zona de Vila Verde. Era nesse Domingo, e não no de Páscoa, que se recebia o compasso, seguido de banda de música. Na minha memória ficou-me a admiração de saber então que o compasso só passava uma semana depois da Páscoa (e imaginava o pequeno grupo carregando a cruz, por todas aquelas freguesias, dia e noite, sem parar).
Outras formas de celebrar a Páscoa em terras de entre Homem e Cávado. Muitas e variadas. E o que é fantástico é que ainda hoje me conseguem surpreender e comover.
 
 

domingo, abril 05, 2015

Páscoa 2015



A Páscoa da Ressurreição. E este ano com uma luz e um clima que há anos não tínhamos no Domingo Pascal, e que nos dá uma imagem ainda maior de renascimento, de regresso à vida, liados à ressurreição de Cristo,  sobretudo se em contacto com a natureza.

E sabemos que há alguma renovação em curso na igreja quando parte do compasso pascal é composto por mulheres, e quase todo por gente mais nova do que nós. Mas a mensagem e a Boa Nova são sempre as mesmas.

Continuação de boa Páscoa a todos.